Bundesbank: financiamentos pelo BCE são "viciantes como droga"

28 de agosto 2012 - 15:17

A chanceler alemã secundou as palavras do Banco Central Alemão, Jens Weidmann, contrárias à compra de dívida soberana de países da Zona Euro pelo BCE, que qualificou como uma atividade "viciante como uma droga". "Apoio Weidmann e creio que é bom que ele, como presidente do Bundesbank, tenha tanta influência no BCE", disse a chefe do governo de Berlim.

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Foto publicada no site do beinternacional.

A declaração de Weidmann e, sobretudo o apoio transmitido pela chanceler, revelam que a euforia causada na Zona Euro pela possibilidade de o BCE comprar dívida de Espanha e Itália para fazer baixar os juros dos títulos destes países nos mercados, ainda está longe de ser confirmada. Weidmann é qualificado como "a última barreira" levantada pela ortodoxia monetarista, mas o apoio da chanceler atribui-lhe um peso suficiente para deduzir que a questão não está pacificada ou resolvida.

Segundo Weidmann, numa entrevista à Der Spiegel, a compra de dívida pelo BCE é "como um financiamento estatal através da máquina de imprimir dinheiro; é um processo viciante, como uma droga". Invocando a hipótese de surgirem problemas inflacionistas decorrentes de tal prática, o presidente do Bundesbank condena que se esteja a utilizar "a política monetária para resolver problemas políticos" e acrescentou que o BCE "não pode garantir a permanência de Estados membros na Zona Euro a qualquer preço".

Prevê-se agora que, com o apoio de Merkel, o Bundesbank pressione de todas as maneiras para dissuadir o presidente do BCE, Mario Dragui, de comprar milhares de milhões de dívida de Espanha e Itália, os países cuja situação faz de facto tremer a existência da moeda única. Dragui assumiu esta possibilidade desde que Espanha e Itália se comprometam com mais reformas económicas no domínio da austeridade contra as populações.

Criado à imagem e semelhança do Bundesbank, o Banco Central Europeu tem seguido desde sempre a política monetarista da instituição em que se inspirou. Um processo recente, e episódico, de compra de dívida pelo BCE levou à demissão do anterior presidente do Bundesbank, Axel Weber, que era o candidato preferido da senhora Merkel para suceder a Trichet no BCE, em vez do actual Mario Dragui.

A chanceler não só transmitiu um forte apoio à posição de Weidmann, considerado "inédito", como apelou a todos os dirigentes dos países da Zona Euro para "medirem as suas palavras" quando se trata de falar da Grécia e do euro. "Há que agir com muita cautela quando se conhecem as actuais necessidades de mudanças na Grécia", disse a senhora Merkel.

Artigo publicado em beinternacional.