IEFP: único “erro” foi a publicação do nome da candidata na internet

28 de agosto 2012 - 17:32

Mediante a contestação que se gerou à volta da publicação no site netemprego.gov de um anúncio de oferta de emprego, no âmbito do programa Estímulo 2012, com indicação precisa de quem deveria ser contratado, um representante do IEFP veio esclarecer que apenas a inclusão do nome no anúncio foi “um erro”.

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O ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, durante o seu discurso na sessão de apresentação da Medida Estímulo 2012. Foto de José Sena Goulão.

Após ter sido publicada, na Netemprego - portal do IEFP para promover o encontro entre a procura e a oferta de emprego em Portugal - uma vaga para educador de infância em Tavira, à qual corresponde um contrato a termo de seis meses e um salário mensal de 833 euros, com a indicação de que a mesma só pode ser ocupada pela candidata Vera Pereira, o delegado regional do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) de Faro veio esclarecer que o nome da candidata foi incluído “por erro”.

Para este representante, a única "situação atípica foi efetivamente o nome da trabalhadora indicado pela entidade contratante ter passado para a internet".

A medida Estímulo 2012 “prevê que a empresa contratante possa indicar desde logo o trabalhador a contratar. O que aconteceu de forma incorreta neste caso concreto foi que o nome da pessoa passou para a Internet e isso não devia ter acontecido", adiantou Carlos Baía.

O delegado regional do IEFP precisou ainda que, "para beneficiar do apoio financeiro, esse trabalhador tem que estar inscrito no centro de emprego há pelo menos seis meses consecutivos" e " essa é uma regra fundamental".

Para o IEFP é, portanto, natural inflacionar o número de propostas de emprego disponíveis, publicando na internet vagas que, na realidade, já estão, à partida, ocupadas, e criar falsas expectativas entre os desempregados de que ainda têm alguma hipótese de vir a preenchê-las.

Certo é, por outro lado, que as empresas que, efetivamente, têm necessidades de contratação e, inclusive, como é o caso, já têm uma ideia certa de quem querem contratar, encontram no Estímulo 2012 a forma perfeita de fazer o Estado assumir despesas que lhes seriam imputadas e de contratar a baixos custos.

Este programa, que prevê que o Estado se responsabilize por 50% da retribuição mensal paga ao trabalhador, até ao limite de 419.22 euros por mês, pelo período máximo de 6 meses, tem resultado na precarização dos trabalhadores e no embaratecimento dos salários. Algumas empresas oferecem, no âmbito do Estímulo 2012, salários de 500 euros para arquitetos licenciados e de 650 euros para dentistas também com curso superior.

O salário médio dos trabalhadores contratados no âmbito do estímulo 2012 é de 656,67 euros.