A taxa incide unicamente sobre proprietários europeus em bolsas europeias. De momento, já dez Estados-Membros têm uma taxa sobre transações financeiras, nomeadamente o Reino Unido que em Londres cobra 0,5%. É a primeira vez que é aprovada a nível europeu uma taxa sobre capital.
O Bloco de Esquerda votou favoravelmente a proposta. Marisa Matias, intervindo no debate sobre a taxa, considerou que este "é o primeiro sinal de que a especulação não sai totalmente impune nesta crise em que vivemos". O Parlamento Europeu e as instituições europeias "devem responder pelas pessoas e não pelos mercados financeiros", disse. A deputada não nega que a proposta seja curta, mas realçou a sua importância: "esta proposta não é completa, não é perfeita, não vai resolver todo o problema da especulação financeira, mas é um sinal importante".
Durante toda a crise, os mercados financeiros especulativos "conseguiram não só que nada fosse feito, como que fosse feita uma transferência diretamente dos bolsos dos cidadãos para esses mesmos mercados especulativos". "Há muitos anos que nós lutamos por isto", "mas foi só – e só – quando os povos um pouco por toda a Europa começaram a dizer basta que finalmente houve alguma iniciativa por parte das instituições que governam a União Europeia", disse a eurodeputada Marisa Matias.
A deputada apresentou ainda uma proposta para taxar os derivados em 0,05% mas este valor acabou rejeitado (ler intervenção).
A proposta precisa agora da aprovação do Conselho Europeu. A eurodeputada espera que "os governos dêem um sinal de confiança às pessoas" e que com esta aprovação se comece "a falar de justiça e de solidariedade na Europa". Estima-se que dentro de oito anos, a taxa possa atingir 80 mil milhões de euros/ano.
A resolução foi aprovada com 487 votos a favor, 152 contra e 46 abstenções. No GUE/NGL, onde se sentam as eurodeputadas bloquistas e do PCP, houve voto favorável e a abstenção do AKEL cipriota, do espanhol Willy Meier (IU) e duas eurodeputadas do Die Linke, que não acompanharam a votação dos restantes seis eleitos do seu partido. Nuno Melo, do CDS, foi o único português a votar contra, enquanto Diogo Feio se absteve.