Pedro Passos Coelho: “Não governo em função das reações da rua”

13 de setembro 2012 - 22:33

O primeiro ministro não está disposto a rever as medidas já apresentadas e esclareceu que as mesmas mereceram a aprovação do líder do CDS-PP, Paulo Portas. “Gatuno” foi uma das palavras de ordem entoadas pelos manifestantes que se concentraram à porta da residência do primeiro ministro.

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Foto de Tiago Petinga, Lusa.

Durante a entrevista em direto dada à RTP, Pedro Passos Coelho, quando questionado sobre se estaria disponível para repensar a sua estratégia e rever as medidas já anunciadas, adiantou que não irá “deitar pela janela fora tudo o que conseguiu até hoje”.

“As medidas que nós acordámos com a troika são necessárias para que Portugal possa cumprir o seu programa, é muito importante que o país tenha uma informação transparente (…) Se não cumprirmos os nossos compromissos externos e não conseguirmos corrigir os nossos desequilíbrios, Portugal conseguirá deitar pela janela fora tudo o que conseguiu até hoje, que foi muito”, frisou.

O primeiro ministro congratulou o seu governo por “cumprir todas as condições relevantes para ter exame bem sucedido" e respondeu às criticas de que a medida respeitante à Taxa Social Única (TSU) é injusta, e "que tira dos pobres para dar aos ricos", adiantando que "numa situação grave e de emergência como a nossa não vamos ultrapassá-la sem sacrifícios".

O líder do governo frisou ainda que hoje somos “olhados pelos mercados de que dependemos como um país que cumpre as suas obrigações” e que “isso é muito importante”. “Durmo tranquilo por saber que fiz o melhor que sei” e que “fiz tudo para defender o país”, destacou Passos Coelho.

O primeiro ministro afirmou ainda que existe uma “ideia errada” de que estamos a cair numa espiral recessiva, e que “a nossa recessão não é pior do que estava previsto”.

Quando questionado sobre por que razão não cumpriu os compromissos assumidos no programa de governo, nomeadamente no que respeita a não aumentar impostos, Pedro Passos Coelho, admitiu que “tudo isso é verdade” mas “não foi possível cumprir o programa de governo”.

Quanto à questão sobre a resistência do governo em renegociar as Parcerias Público Privadas (PPP) do setor rodoviário, Pedro Passos Coelho não soube justificar a atitude do seu executivo, adiantando que essas PPP foram herdadas do governo socialista.

O representante do governo português esclareceu ainda que as novas medidas de austeridade agora anunciadas foram “preparadas dentro do governo com o conhecimento de Paulo Portas”.

Traidor e incompetente”

À porta da residência oficial do primeiro ministro, onde se realizou esta entrevista, concentraram-se dezenas de manifestantes que, munidos de tampas de tachos, gritaram palavras de ordem como "gatuno". Numa das pancartas podia ler-se “traidor e incompetente”. Os automóveis buzinaram à medida que passavam pelo local, onde se concentrou um considerável aparato policial.

A coordenadora da Federação Nacional de Sindicatos da Função Pública, Ana Avoila, que participou no protesto, adiantou que se vão realizar manifestações de protesto em todas as iniciativas públicas que contem com a participação de elementos do governo.

O líder da Federação Nacional de Professores (Fenprof), Mário Nogueira, também presente no protesto, afirmou que “se houvesse um pouco de decoro e ética, este Governo ia-se embora".

"Isso ultrapassa tudo, é uma atitude de desrespeito que não é aceitável, muito menos num primeiro-ministro", frisou.