Os presos palestinianos das prisões israelitas entraram esta sexta-feira no décimo dia de greve de fome, em protesto contra as condições prisionais degradantes. O movimento foi desencadeado em 27 de Setembro por membros da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP), após um agravamento das medidas punitivas aplicadas pelo Serviço Prisional de Israel (IPS). Mas a greve já tem a adesão de muitos outros presos.
De acordo com o ministro da Autoridade Palestiniana para os Assuntos dos Prisioneiros, Issa Karaki, uma das razões que levou os presos a desencadear o protesto foi a política das autoridades prisionais israelitas de acorrentar os presos durante as visitas das famílias. As visitas tornaram-se assim uma forma de punir os prisioneiros e os seus familiares, que são submetidos a outras humilhações durante as visitas.
Humilhação e um insulto intoleráveis
Umm Jamil, mãe de Doa al-Jayyousi, condenada a três penas de prisão perpétua, desmaiou quando viu a filha acorrentada, ao chegar à visita na prisão de Damon, ante da greve de fome. Foi levada à pressa para o hospital. “É uma humilhação e um insulto intoleráveis”, disse Umm Jamil ao Alakhbar em inglês. “Tratam-nos como se fossemos escravos, sem dignidade”, denunciou, pedindo o fim aos maus tratos, sem precedentes, às prisioneiras.
Além da greve de fome, os presos palestinianos estão a desenvolver uma campanha de desobediência, recusando-se a vestir os uniformes da prisão ou a participar de votações.
As autoridades israelitas responderam com represálias, isolando os presos em greve de fome, como foi o caso de 53 prisioneiros da prisão de Shatta, proibiram as visitas dos advogados e fizeram buscas e inspecções claramente provocatórias às celas dos prisioneiros. Nas prisões de Ashkelon e de Nafha, os guardas israelitas lançaram gás lacrimogéneo sobre os presos, causando inúmeros ferimentos.
As manifestações de solidariedade têm crescido em todos os territórios ocupados, diante das prisões. A mais importante e famosa greve de fome de presos palestinianos ocorreu em 1976, na prisão de Ashkelon, e durou 45 dias.