Em declarações aos jornalistas durante um encontro com trabalhadores da Carpan, na Maia, Francisco Louçã sublinhou que “é lamentável que a senhora Merkel tenha conseguido passar uma rasteira às eleições presidenciais francesas, por via da iniciativa de Pedro Passos Coelho e do apoio de António José Seguro, que fizeram de Portugal o primeiro país que votou um tratado que todos sabíamos que tinha que ser revisto depois das eleições francesas”.
Para Louçã, “esse tratado está morto com os votos dos franceses e, por isso, é preciso que a Europa recupere para si a capacidade de responder à Grécia, a Portugal, à Itália, de combater os mercados financeiros e, sobretudo, de voltar aos carris de uma cooperação europeia para o emprego”.
O dirigente bloquista frisou ainda que enquanto houver “proibição do investimento numa altura de recessão ou de uma ação dos estados numa altura de crise”, o país não sairá “da política da bancarrota”.
Bloco pede suspensão da ratificação do tratado orçamental
Durante uma conferência de imprensa na Assembleia da República, Luís Fazenda, líder da bancada parlamentar do Bloco de Esquerda defendeu que "mediante os resultados das eleições francesas e outras”, seria “de elementar bom senso que o Presidente da República suspendesse a ratificação do tratado orçamental".
Segundo Luís Fazenda, antevê-se já "algum debate entre os Estados membros da União Europeia uma vez desfeito, pelo menos provisoriamente, o ‘Merkosy', o dueto entre os presidentes da França e a chanceler da Alemanha" e é necessário que haja "uma revisão daquilo que vai acontecer do ponto de vista do tratado orçamental".
O líder da bancada parlamentar do Bloco de Esquerda lembrou que há alguns anos Portugal "cobriu-se de ridículo ao fazer uma revisão da constituição para acolher um tratado constitucional que nunca chegou a existir".
"Deve-se esperar tal como a maior parte dos Estados europeus para ver o destino deste pacto tratado orçamental. Ele está em causa, não fará sentido que o Presidente da República agora chamado a fazer a ratificação vá fazê-lo por antecipação a um debate europeu que ainda não teve lugar", rematou Luís Fazenda.
Alemanha adia votações do Tratado Orçamental Europeu
Segundo anunciou esta quarta feira o líder do grupo parlamentar dos Liberais (FDP), Rainer Bruederle, a Alemanha irá adiar as votações do Tratado Orçamental e do Mecanismo de Estabilidade Europeu (MEE), que estariam agendadas para 25 de maio.
“As votações serão atrasadas por algumas semanas”, afirmou Bruederle, após conferenciar com o ministro das Finanças, Wolfgang Schaeuble.
O líder do grupo parlamentar dos Liberais, sublinhou, contudo, que “podemos falar de prazos, mas não há alternativa às reformas estruturais e aos processos de reforma na zona euro”.