Lisboetas, indignem-se!

O plano do governo sobre os transportes públicos na capital é um atentado ao direito democrático à mobilidade e tornará Lisboa numa cidade fantasma.

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O plano do governo sobre os transportes públicos na capital é um atentado ao direito democrático à mobilidade e tornará Lisboa numa cidade fantasma.

Acabar com os serviços nocturno da CARRIS, fechar o Metropolitano às 23.00 horas e às 21.00 em algumas situações, assim como reduzir a oferta aos fins-de-semana, são medidas em total contra-ciclo com uma política de desenvolvimento da cidade. São medidas contra as pessoas e contra a cidade, ditadas pelos cortes cegos, na fúria agressiva e penalizadora das empresas públicas de transporte.

A mobilidade não é apenas uma necessidade pendular trabalho-casa-trabalho. A mobilidade das populações é um direito democrático que deve servir todos os aspectos da sua vida: a deslocação para o trabalho, para a escola, para as compras, para o lazer, para a cultura, para desfrutar da sua cidade, para se poder deslocar de uma ponta à outra, para conviver, para conhecer, para participar. É também a aproximação das periferias ao centro, evitando os guetos. Não pode ser limitada à ida para o trabalho, assistindo-se depois ao esvaziamento da cidade, esvaziamento daquilo que mais precioso tem – as pessoas, que lhe dão vida e sentido.

É nesta lógica que se deve enquadrar a oferta de transportes públicos colectivos, é uma responsabilidade do Estado garantir este direito, que deveria ser alargado e não restringido.

A cidade de Lisboa vive com o pesadelo automóvel que a invade, que se apropria do espaço colectivo, que a polui. Lisboa precisa de transportes colectivos que se complementem, de bilhete único, de passe social, de títulos de transportes integrados com o estacionamento na periferia, de preços competitivos. O futuro do transporte público estará na sua capacidade de atrair utilizadores. O governo faz ao contrário, diz que as empresas não podem ter passivo, mas não ousa “conquistar mercado”.

A redução da oferta da CARRIS e do Metro levará à redução do transporte fluvial e ferroviário que serve a capital, é a consequência inevitável. Prejudica o ambiente, vai contra a segurança rodoviária, promove a insegurança, em resumo fecha a cidade ao povo.

Nada escapa à austeridade destruidora, mas ela não é dona do nosso futuro.

Defender os transportes públicos hoje é abrir as portas da cidade a novas políticas.


Comentários

OK, de acordo, mas dirigir a indignação a quem? À CML? A um ministério? Só apelar à indignação não chega...

Nem mais!

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