“Aos banqueiros a impunidade, ao povo o castigo”

15 de março 2014 - 21:13

Marisa Matias denuncia o escândalo do perdão das multas aos banqueiros e recorda que a ministra das Finanças garantira que o “tempo da impunidade acabou”. O que se verifica é que não só não acabou, disse a eurodeputada do Bloco, como que o crime compensa sempre que alguém tem dinheiro para pagar bons advogados.

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Marisa Matias: "Em Portugal, afinal de contas, o crime compensa sempre que alguém tem dinheiro". Foto de Paulete Matos

Em conferência de imprensa, Marisa Matias considerou inaceitável o novo escândalo do perdão da das multas aos banqueiros. “Soubemos esta semana que Jardim Gonçalves teve o perdão de um milhão de euros em multas, que João Rendeiro tem quatro milhões de euros a caminho de prescrição e ainda que Oliveira e Costa pede prescrição das multas do caso BPN”.

Para a cabeça de lista do Bloco de Esquerda às eleições europeias, estes três escândalos “mostram claramente uma diferenciação do tratamento dado ao sistema financeiro, em contraste com a sociedade, punida pelos cortes dos salários, das pensões e da destruição económica e social do país”.

Dois pesos e duas medidas

Para a eurodeputada do Bloco, “temos aqui dois pesos e duas medidas da forma mais evidente possível: “aos banqueiros o que se oferece é impunidade, ao povo português o que se oferece é o castigo”, disse, apontando o contraste com o banqueiro Madoff nos EUA ou o presidente do Bayern de Munique, presos e julgados. “Mas em Portugal, afinal de contas, o crime compensa sempre que alguém tem dinheiro, ou sobretudo se tem dinheiro para pagar a bons advogados e faz parte do único sistema que tem sido protegido na sociedade portuguesa, que é o sistema bancário.