“Cortar na Lusa é cortar na democracia”

18 de outubro 2012 - 15:51

Os trabalhadores da Lusa estão em greve durante 4 dias, contra o corte de 30% no contrato-programa do Estado com a agência. Nesta quinta feira, teve lugar uma vigília junto da Presidência do Conselho de Ministros, onde a deputada Catarina Martins se solidarizou com a luta e afirmou: “O único sentido, que pode ter cortar na Lusa agora, é cortar na democracia e isso é o corte mais inaceitável”.

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Vigília dos trabalhadores da Lusa junto à Presidência do Conselho de Ministros - Foto de Catarina Oliveira

O serviço de notícias da Lusa está completamente parado, devido à greve dos seus trabalhadores durante quatro dias.

Ao final da manhã as pessoas que trabalham na Lusa estiveram concentradas junto à Presidência do Conselho de Ministros, manifestando-se contra os cortes e defende o serviço público da agência.

A deputada Catarina Martins do Bloco de Esquerda deslocou-se à vigília para manifestar a sua solidariedade e a do partido, salientando que se trata de “uma luta muito ampla porque é uma luta não só pelos direitos de todas e de todos quantos trabalham na Lusa, mas é uma luta pela democracia”.

A deputada do Bloco destacou que a greve de quem trabalha na Lusa se repercute fortemente nos jornais online e nas rádios, notando-se a falta que fazem a todos os meios de comunicação e à população em geral.

Catarina Martins salientou que “quem trabalha na Lusa tem vivido o pior dos dois mundos, tem suportado todos os cortes que são impostos à função pública, muito embora não sejam funcionários públicos e está constantemente a sofrer cortes com a desculpa que é uma gestão de uma empresa privada” e que o governo tem “optado sempre pelo pior de todos os mundos para quem trabalha na Lusa”.

A deputada do Bloco sublinhou ainda que “é toda a comunicação social que também está em risco”, que “não há um fim para os cortes” e que “ou se diz basta e se defende já ou não ficará nada, nem postos de trabalho nem o serviço público indispensável da Lusa”, frisando que “sem jornais não há democracia”.

A deputada anunciou também que o Bloco de Esquerda irá propor no debate do Orçamento de Estado “que a Lusa não sofra qualquer corte”.

Os trabalhadores da Lusa realizam nova vigília, dia 19, sexta-feira, junto à porta lateral do Parlamento às 09h30 com deslocação às 11h do Parlamento para o jornal Público (Rua Viriato 13, metro Picoas), também em greve neste dia, no âmbito de uma ação convocada por jornalistas de diversos meios de comunicação social, em solidariedade com os jornalistas do Público e da Lusa. Esta mesma ação deslocar-se-á à sede da Agência Lusa, por volta das 13h.

No dia 20, sábado, farão uma ação de sensibilização junto ao café A Brasileira, à saída do metro da Baixa-Chiado, às 12h. Dia 21, domingo, decorrem ações de sensibilização feitas por diversos piquetes de greve junto dos restantes órgãos de comunicação social, clientes dos serviços da Agência Lusa. Dia 22, segunda-feira, haverá uma Conferência de imprensa, às 11h, nas instalações do Sindicato dos Jornalistas, em Lisboa, com os representantes dos órgãos representativos dos trabalhadores.

Está online uma petição Em Defesa da Agência de Notícias Lusa que pode ser subscrita por qualquer cidadão, contando já com quase 2000 assinaturas (na tarde de quarta-feira).

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