“Cortes não serão só nas pensões mais elevadas”, diz João Semedo

17 de dezembro 2012 - 11:52

Passos Coelho defendeu este domingo a necessidade de os reformados com pensões mais elevadas darem ao Estado um “contributo maior”, o que na sua opinião não viola a Constituição. João Semedo defendeu que o Primeiro-ministro “desvendou um pouco mais” sobre onde o Governo pretende poupar quatro mil milhões, considerando que “os cortes nas pensões não serão só nas mais elevadas”.

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João Semedo considerou ainda “extraordinário” e “caricato” que “o Governo e primeiro-ministro, que não fazem outra coisa que não seja aumentar a dívida, venham agora dizer que esta demorará 20 ou 30 anos a pagar”, e reiterou a necessidade de renegociar o valor da dívida e dos juros. Foto de Paulete Matos.

O coordenador do Bloco de Esquerda João Semedo defendeu que “as palavras do primeiro-ministro confirmam que o Governo se prepara para cortar nas pensões e nas reformas". Na verdade, Passos Coelho “desvendou um pouco mais” sobre onde o Governo pretende poupar quatro mil milhões de euros, disse o dirigente bloquista, advertindo: “os cortes nas pensões não serão só nas mais elevadas”.



“Vai haver um corte muito significativo no valor das pensões e nas reformas e, ao contrário do que o primeiro-ministro disse hoje, não será só nas pensões mais elevadas. Será um corte que atingirá todas as pensões”, defendeu João Semedo.



O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, defendeu este domingo a necessidade de os reformados com pensões mais elevadas darem ao Estado um “contributo maior”, o que na sua opinião não viola a Constituição da República. “Queixam-se de lhes estarmos a pedir um esforço muito grande”, disse Passos Coelho em Penela, considerando que esses reformados e pensionistas “descontaram para ter reformas, mas não para terem aquelas reformas”.



“Hoje, há algumas pessoas que se queixam do esforço que lhes estamos a pedir para que possam ajudar o país a ultrapassar a situação em que ficou”, disse Passos Coelho aludindo equivocamente às palavras de Cavaco Silva, de há um ano, sobre a sua própria pensão.



Corte nas pensões faz parte da poupança de quatro mil milhões que o Governo já acordou com a troika



João Semedo defendeu que “as palavras do primeiro-ministro confirmam que o Governo se prepara para cortar nas pensões e nas reformas e que esse corte faz parte da poupança de quatro mil milhões que o Governo já acordou com a ‘troika’”.



“Quando fala de cortar as pensões muito elevadas está-nos a enganar”, realçou, considerando que “todas vão ter um corte muito significativo”.



Para o dirigente e deputado do Bloco, “cortar nas pensões e nas reformas é insistir e agravar o empobrecimento a que está a conduzir as famílias portuguesas. É mais austeridade sobre uma austeridade que já pesa muito”.



João Semedo considerou ainda “extraordinário” e “caricato” que “o Governo e primeiro-ministro, que não fazem outra coisa que não seja aumentar a dívida, venham agora dizer que esta demorará 20 ou 30 anos a pagar”, e reiterou a necessidade de renegociar o valor da dívida e dos juros.