“Governo devia ter vergonha ao dizer que os sacrifícios são distribuídos entre o trabalho e capital”

11 de setembro 2012 - 18:56

As metas do défice foram adiadas um ano, mas a austeridade não só continua como será servida em dose reforçada: aumentos do IRS, diminuição das reformas, os despedimentos na função pública vão acelerar. Bloco diz que o governo apagou, definitivamente, a luz ao fundo do túnel.

PARTILHAR
Foto Lusa

Cinco dias depois de Pedro Passos Coelho anunciar a diminuição dos salários, no público e privado, o ministro das Finanças anunciou o reforço das medidas de austeridade para 2013. Portugal vai dispor de mais um ano para atingir as metas do défice negociadas com a troika, mas os impostos vão continuar a aumentar e a dispensa de contratados na função pública é para manter, anunciou esta terça-feira Vítor Gaspar.

Aumento das taxas intermédias de IRS, através da diminuição de escalões, aumento da contribuição social dos trabalhadores a recibos verdes, de 29,6% para 30,7%, ou a redução entre 3,5 a 10 por cento das reformas acima de 1500 euros, ou restringir condições de acesso ao subsídio de desemprego ou ao RSI são algumas das medidas hoje apresentadas pelo ministro das Finanças, na apresentação da quinta avaliação ao memorando de entendimento.

O adiamento das metas estipuladas do défice, para 4,5 % em 2013 e 2,5% em 2014, “não implica qualquer alteração no pacto financeiro do programa”, adiantou o ministro das finanças. O que é certo, em todo o caso, é que as medidas de austeridade se sucedem a um ritmo já difícil de acompanhar: convergência da ADSE com o regime geral de saúde, diminuição da componente salarial dos funcionários públicos que não fazem parte dos salários base, ou ainda maior redução do investimento das empresas públicas.

“Governo apagou definitivamente a luz ao fundo do túnel”

“Em menos de uma semana, é o segundo aumento brutal de impostos sobre quem trabalha”, recordou Catarina Martins. “Três semanas. Foi quanto duraram as promessas de recuperação para 2013, efetuadas pelo primeiro-ministro há três semanas, foram hoje rasgadas pelo ministro Vítor Gaspar. Em 2013 vamos ter mais desemprego, menos salários e mais impostos”, resumiu a deputada do Bloco.

“Passos Coelho já tinha retirado um mês de salário dos trabalhadores, incluindo os que recebem o salário mínimo, para financiar as empresas”, declarou Catarina Martins, referindo-se à subida da taxa social única (TSU). “Uma medida que nem as empresas apoiam, porque sem salários não há quem consuma”, afirmou a deputada do Bloco. “Todos sabemos que esta é a política do desastre”, resumiu Catarina Martins, considerando que o Governo perdeu as condições para governar.

A deputada do Bloco de Esquerda fez as contas e, em relação ao anúncio de alteração dos escalões de IRS, anunciou que isso representará um aumento de impostos para todos os contribuintes com um salário líquido superior a 750 euros.

“Vítor Gaspar e Passos Coelho sabem que todos sacríficos recaem, mais uma vez, sobre trabalhadores e reformados. A conversa sobre e fundações e PPS é isso mesmo. Conversa. O Governo devia ter vergonha ao dizer que os sacrifícios pedidos são distribuídos entre o trabalho e capital”, declarou Catarina Martins.

Termos relacionados: Política