“Muitos pensionistas têm que decidir entre o almoço e o medicamento”

30 de janeiro 2013 - 17:55

Mariana Aiveca acusou Pedro Mota Soares de "embandeirar em arco com a propaganda do governo" e afirmou que "com as propostas do FMI, encomendadas pelo Governo, a pobreza passará a ser um estado e não uma situação transitória". "As pensões não podem ser cortadas", defendeu, lembrando que a taxa de pobreza, com a redução dos apoios sociais, passará de 18% para 41%.

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Portugal é hoje “um país de pensionistas que têm que decidir entre o almoço e o medicamento, entre o aquecimento e o consumo de água” - Foto de Paulete Matos

Na interpelação do Bloco de Esquerda ao governo sobre políticas sociais, a deputada Mariana Aiveca questionou o ministro da Solidariedade e da Segurança Social sobre as propostas do relatório do FMI, em que o ministro Mota Soares participou, e perguntou-lhe:

“Vai fazer um corte de 10% em todas as pensões?

Vai fazer um corte de 15% acima da pensão mínima, que como bem sabe é 256 euros já com o miserável aumento deste ano?

Vai cortar 20% nas pensões da Caixa Geral de Aposentações?

Vai aumentar a idade da reforma para os 66 anos?”

O ministro, tal como os restantes ministros que intervieram no debate sobre políticas sociais, Paulo Macedo e Miguel Relvas, foi incapaz de responder a estas e outras perguntas sobre o relatório do FMI e o corte 4.000 milhões de euros que o governo pretende fazer na despesa pública com políticas sociais.

Mariana Aiveca acusou ainda Mota Soares de ter atacado “os pensionistas de uma forma desumana e brutal”, frisando que Portugal é hoje “um país de pensionistas que têm que decidir entre o almoço e o medicamento, entre o aquecimento e o consumo de água”.

A deputada denunciou também que o ministro, “por mais que se esforce em dizer que descongelou as pensões”, “os dados oficiais demonstram que baixou as pensões de 274 euros, de 303 euros e de 379 euros”.

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