No programa Conselho Superior da Antena 1, Marisa Matias comentou o regresso aos mercados , o novo imposto para as reformas acima dos mil euros e o aumento miserável das pensões mínimas. “Vemos que afinal o Plano B do Governo é igual ao Plano A: inclui sempre os pensionistas e os reformados”, afirmou a eurodeputada do Bloco.
“Há uma lógica permanente do Governo ver nos pensionistas e reformados uma espécie de mealheiro”, explicou Marisa Matias, acusando Passos Coelho e Paulo Portas de tirarem aos reformados “para alimentar os mercados internacionais”.
“Estamos a falar de quase 60% dos pensionistas do Estado que passam a sofrer um duplo corte com estas medidas.Não me parece que seja temporário, todas as medidas temporárias do Governo convertem-se logo em permanentes”, prosseguiu a eurodeputada.
Marisa Matias contrapôs a este corte através da Contribuição Extraordinária de Solidariedade o aumento de poucos cêntimos diários nas pensões mais baixas. “47 euros por mês é muito dinheiro”, diz a eurodeputada, referindo-se ao novo imposto para quem ganhe entre 1000 e 1350 euros de reforma. “Este duplo corte representa valores muito superiores a isso e não está a servir para financiar o Estado. Serve apenas para alimentar uma promessa que o Estado resolveu cumprir com os credores internacionais: aproveitar a crise para transformar as relações sociais em Portugal, baixando salários e pensões”.
Ao mesmo tempo, “os aumentos das pensões mínimas são ridículos”, criticou. “Os mais pobres dos mais pobres ouvem o Governo dizer que está a tomar conta deles e está a promover aumentos. Mas os aumentos são entre 89 cêntimos e 2,57 euros por mês”.
Comentando a comemoração do “sucesso da ida aos mercados”, Marisa Matias declarou que “isso provoca arrepios com tanta insensibilidade social. Quem compra os títulos de dívida portuguesa pode financiar-se a cerca de 0% para ir buscar um lucro de 4,65%. Mas com quem é que o Governo pode comemorar esse sucesso?”, perguntou.
“Não é certamente com os pensionistas, os trabalhadores precários, os professores contratados ou os enfermeiros em greve. Se precisar de champanhe para celebrar, vai celebrar com poucos: com quem comprou os títulos porque tem rendimento garantido, com a Comissão Europeia, o FMI e o BCE”, afirmou a eurodeputada. “Cada um escolhe o lado que quer defender e o Governo há muito tempo que escolheu os mercados”, concluiu