O plenário aconteceu no dia de regresso ao trabalho após a habitual paragem de Natal. No fim, António Costa leu o texto da moção aprovada por unanimidade, repetindo o repúdio pelo encerramento da empresa e o alerta aos trabalhadores “no sentido de não fazerem ou aderirem a qualquer tipo de acordos, pois os mesmos podem ser prejudiciais para o seu futuro”. Segundo a agência Lusa, dos 609 trabalhadores dos Estaleiros, a administração só conseguiu até agora 42 assinaturas para rescisões amigáveis dos contratos.
A moção prevê ainda a entrega de uma petição com mais de 4000 assinaturas recolhidas em dezembro na Assembleia da República. As organizações representativas dos trabalhadores irão a São Bento entregá-la na véspera do dia previsto para a assinatura do contrato de subconcessão até 2031 dos terrenos e equipamentos dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo à Martifer. Na próxima quinta-feira há novo plenário para decidir outras formas de luta, incluindo uma jornada de protesto em Viana do Castelo, com atuais e antigos trabalhadores, familiares e população da cidade.
Arménio Carlos diz que Martifer é testa de ferro da Mota Engil
Presente no plenário, o secretário-geral da CGTP alertou para a falta de garantias dadas ao Estado antes da concretização do negócio da subconcessão. "Não há nenhum papel que diga quantos serralheiros, soldadores, eletricistas ou montadores precisam. O mesmo é dizer que o negócio, se porventura se concretizar, leva a que o Governo entre de venda nos olhos para um negócio que, repito, é ruinoso", declarou Arménio Carlos à Lusa.
"Na nossa opinião, há todas as condições para se parar o negócio. São tantas, tantas, tantas as nuvens escuras que se adensam em torno deste negócio que só alguém com pouco bom senso ou envolvido no negócio é que não porá travão ao mesmo negocio", prosseguiu o líder da CGTP, dizendo que "é preciso descobrir" quem está "por detrás" do negócio da subconcessão.
"O testa de ferro é a Martifer e já percebemos que onde a Martifer por norma mete a mão é para estragar. Também percebemos que quem está, em termos de grande peso económico, atrás da Martifer é a Mota-Engil, que tem um espaço privilegiado nas relações com os Governos, quer com o anterior, quer com este", concretizou Arménio Carlos. Sublinhando “nada ter contra” estes dois grupos, o líder da CGTP concluiu que “não aceitamos é que seja a Mota-Engil ou a Martifer, como testa de ferro, a darem cabo de uma empresa que, para além de ser pública, tem futuro. Se eles querem fazer negócios, que façam negócios limpos”.