“Este Governo está alinhado com a troika e não quer dar o contributo que devia dar, para salvaguardar os açorianos e as açorianas dessa política criminosa que afunda o país e que afunda os Açores”, disse a deputada do Bloco.
Assim, ao fim de poucas semanas de governação, o executivo de Vasco Cordeiro já defraudou as expectativas criadas durante a campanha eleitoral, quando prometia o combate à austeridade. Na discussão do Programa de Governo ficou a saber-se que o Governo Regional não vai utilizar as suas competências para devolver aos trabalhadores do sector público, pelo menos um dos subsídios retirados pelo Governo do PSD/CDS, o que representaria cerca 30 milhões de euros que tanta falta fazem à dinamização do mercado interno.
“Afinal não há barreira contra a austeridade; há é a negação do discurso da campanha eleitoral”, acusou Zuraida Soares.
Na intervenção final do debate que decorreu nos últimos três dias na sede do parlamento, a deputada do Bloco de Esquerda comparou mesmo a filosofia deste Governo à de Vítor Gaspar no que diz respeito à economia: “nada há a fazer quanto ao mercado interno nem quanto ao financiamento da empresas. É preciso apostar na exportação”. Com esta filosofia o Governo abdica da defesa séria dos sectores tradicionais da economia açoriana.
A deputada da representação parlamentar do BE apontou ainda graves falhas no Programa de Governo, que demonstra a continuidade da política de desperdício de dinheiros públicos, por exemplo, na Educação – pagando para a construção e gestão de colégios privados enquanto falta dinheiro para a Escola Pública –, na Saúde – como é o caso do negócio da Radioterapia – e na recusa de alterar a legislação no sentido de proibir as enormes e recorrentes derrapagens financeiras em obras públicas na Região, à semelhança do que acontece no resto do País.
No que diz respeito aos transportes, Zuraida Soares manifestou preocupação pelo facto de o Governo colocar tudo na entrada das Low-Cost, sem, no entanto, esclarecer os pormenores deste processo.
A deputada do Bloco registou que, pela primeira vez, o Governo coloca a possibilidade de dotar a Base das Lajes de outras valências, que promovam o desenvolvimento e o emprego, mas considera ridícula a manutenção da presença militar: “Quem vai investir a sério, numa estrutura que, a qualquer momento, tem de parar a laboração, porque outros precisam dela para fazer uma guerra?”.
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