A Associação de Profissionais das Artes Cénicas Plateia lançou, no início do mês, uma petição contra os cortes de financiamento no Porto, que podem chegar aos 75 por cento e ameaçam a sobrevivência de metade das companhias de teatro da cidade.
A concentração que teve lugar esta segunda-feira, foi então convocada pelas companhias de teatro da cidade, em protesto contra “esta situação que é mais um atentado grave à cultura e à economia da cidade do Porto, colocando em causa o direito de expressão e fruição artística de uma cidade que sempre se afirmou pela pluralidade e diversidade”. “Depois da Casa da Música são as Companhias de Teatro. E a seguir o que é que será?”, questionam as companhias.
“Rui Rio é hostil à cultura e aos criadores artísticos da cidade do Porto”
A coordenadora da Comissão Política do Bloco e também deputada, Catarina Martins, juntou-se solidariamente à concentração e, em declarações à imprensa, acusou o atual Presidente da Câmara do Porto de ter cortado todos os apoios financeiros e logísticos às estruturas artísticas da cidade.
Catarina Martins pontou dois problemas fundamentais que deixam as estruturas artísticas do Porto “completamente limitadas”. Por um lado, “há um desinvestimento na cultura em todo o país, com níveis extraordinariamente baixos, e uma alteração das regras que torna os criadores dependentes das autarquias ”, aponta. Por outro lado, no Porto “há problema local agravado, causado por uma autarquia que é hostil à arte, à cultura e aos criadores artísticos da cidade”.
Para exemplificar a dimensão do corte estatal do financiamento às artes e a política de “terraplanagem” do Governo neste setor, a deputada explica que “o investimento público na cultura é cinco vezes menor do que o valor pago à Microsoft para assegurar os computadores dos Ministérios”.
No Porto, a situação agrava-se devido à inexistente política cultural de Rui Rio que “cortou todo os apoios financeiros e logísticos às estruturas e acabou com o teatro municipal na cidade”, acusa Catarina Martins.
“Não há diálogo entre os criadores artísticos da cidade e a autarquia”, explica, uma situação que impede o acesso aos concursos de financiamento.
“As companhias do Porto estão nesta situação e não é a primeira vez que são afetadas por uma visão centralista do país”, alerta a deputada, referindo que tal já aconteceu nos anos 80 e apontando que o local escolhido para a concentração “é simbólico”, porque invoca o local de uma companhia extinta na altura.
Catarina Martins frisou ainda que garantir o acesso à cultura é “uma obrigação constitucional” e que, no Porto, “está a matar-se toda a oferta cultural, restando apenas o que passa na televisão”. Em causa está “o acesso ao conhecimento, à democracia e à liberdade”, sublinha.
“Rui Rio é hostil à cultura e aos criadores artísticos da cidade do Porto”
14 de janeiro 2013 - 20:29
Realizou-se esta segunda-feira uma concentração junto ao edifício do Jornal de Notícias, no Porto, convocada pelas companhias de teatro da cidade que enfrentam cortes que podem chegar aos 75%. A coordenadora da Comissão Política do Bloco, Catarina Martins, esteve presente, em solidariedade, e teceu duras críticas à inexistente política cultural de Rui Rio.
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No Porto, a situação agrava-se devido à inexistente política cultural de Rui Rio que “cortou todo os apoios financeiros e logísticos às estruturas e acabou com o teatro municipal na cidade”, acusa Catarina Martins.