1.668 jornalistas mortos em 20 anos

31 de dezembro 2022 - 13:20

Depois de anos de “acalmia progressiva”, em 2022 o número de jornalistas mortos por causa da profissão voltou a subir. Foram 58, dizem os Repórteres Sem Fronteiras que acrescentam que a maior parte dos jornalistas foram mortos em zonas de paz por causa de investigações sobre crime organizado e corrupção e não em zonas de guerra.

PARTILHAR

Desde 2022, 1.668 jornalistas foram mortos em trabalho ou por questões relativas ao desempenho da sua atividade. Isto significa, em média, 80 por ano.

Estes números foram compilados pela Repórteres Sem Fronteiras que adianta que 80% das mortes ocorreram em apenas 15 países. No topo da lista estão o Iraque e a Síria com um total somado de 578 mortes, mais de um terço de todas as registadas. E a seguir encontramos México (125), Filipinas (107), Paquistão (93), Afeganistão (81) e Somália (78).

Enquanto que os anos mais letais foram 2012 e 2013, com 144 e 142 homicídios respetivamente, por causa da guerra na Síria, depois houve uma “acalmia progressiva e em seguida números historicamente baixos a partir de 2019”. Agora, estes voltaram a aumentar. Entre o início do ano e o último dia que foi tido em conta neste relatório, o dia 28 de dezembro, morreram 58 jornalistas, o que significa um aumento de sete em comparação com o ano passado. Só na guerra da Ucrânia morreram oito jornalistas este ano por causa da invasão russa. Isto faz com que este país seja considerado o segundo mais perigoso da Europa. A Rússia, com 25 mortos em 20 anos, continua a ser visto como o país mais perigoso. A ONG diz que “desde a chegada ao poder de Vladimir Putin, os atentados – inclusivamente mortais – à liberdade de imprensa foram sistemático”, exemplificando-se com o assassinato de Anna Politkovskaïa a 7 de outubro de 2006.

Completam os primeiros lugares do macabro ranking europeu a Turquia em terceiro lugar e a França devido aos atentados no Charlie Hebdo em 2015.

Mas o continente que “incontestavelmente o mais perigoso para os meios de comunicação social” é o americano que concentra perto de metade dos jornalistas dos jornalistas mortos este ano com México, Brasil, Colômbia e Honduras com os números mais elevados.

A RSF sublinha ainda que apesar da cobertura dos conflitos explicar muitas das mortes, houve “mais jornalistas mortos em zonas de paz do que em zonas de guerra devido às suas investigações sobre o crime organizado e sobre a corrupção”.

O secretário-geral da organização, Christophe Deloire, presta-lhes homenagem já que “por detrás dos números, há os rostos, a personalidade, o talento e o empenho daquelas e daqueles que pagaram com a vida a sua recolha de informação, a sua investigação da verdade e a sua paixão do jornalismo”. E apela ao “respeito absoluto pela segurança dos jornalistas em todo o lado em que estejam a trabalhar”.

2022, ano recorde de jornalistas presos

Para além do número de mortes ter subido, em 2022 há também um crescimento de 13,4% do número de jornalistas detidos. Eram no primeiro dia de dezembro 533. Há ainda 65 jornalistas que estão raptados e 49 desaparecidos.

A RSF sublinha ainda que nunca antes houve tantas mulheres jornalistas presas, 78, um aumento de 30% num ano. No que diz respeito às prisões é a China que está em primeiro lugar com 110 jornalistas em detenção. Destaca-se ainda que o Irão subiu ao terceiro lugar, devido à onda de protestos, com 47 presos.