“Temos conhecimento que, no Grande Porto, oito lojas do Dia/Minipreço encerraram porque os trabalhadores não compareceram. Também muitos trabalhadores no Jumbo, no Continente e no Pingo Doce fizeram greve, embora estas empresas consigam abrir as lojas com um número mais reduzido de funcionários”, disse à agência Lusa Jorge Pinto, da direção do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP).
Jorge Pinto sublinhou a “desvalorização do trabalho que contribui para o engrandecimento dos grupos económicos, que geram milhões de lucro por ano, mas aos trabalhadores distribuem apenas uma côdea”.
O protesto do Dia do Trabalhador na Rua de Passos Manuel em frente a um supermercado Pingo Doce deve-se a que “mais uma vez, este ano, as empresas da grande distribuição decidiram abrir no 1.º de Maio, numa linha de confrontação contra os trabalhadores”, explicou o sindicalista. Cerca de dezena e meia de ativistas sindicais procuraram assim “denunciar de forma simbólica aos consumidores algumas das realidades e práticas das empresas da grande distribuição”.
Jorge Pinto sublinhou a “desvalorização do trabalho que contribui para o engrandecimento dos grupos económicos, que geram milhões de lucro por ano, mas aos trabalhadores distribuem apenas uma côdea”. Uma das explicações para a maior adesão às greves que o CESP tem agendadas nos dias feriados é o corte para metade na remuneração suplementar paga pelos empregadores nesse dia.
Para o CESP, a abertura dos supermercados no 1º de Maio nos últimos anos ilustra a “total desregulamentação do trabalho no setor”. “A contratação coletiva está paralisada há quatro anos e não negoceiam aumentos dos salários, mas distribuem prémios a alguns trabalhadores, numa atitude de discriminação, dado que a maioria das avaliações não têm qualquer critério nem rigor”, acusou o sindicato.
O sindicato contesta ainda a liberalização dos horários de funcionamento exigida pelas cadeias de distribuição e aprovada pelo Governo, que fará de Portugal “o primeiro país do mundo com este regime de horários, voltando ao tempo da escravidão”, acusa Jorge Pinto. “Trabalhar todos os dias e a todas as horas, sempre disponível para todo o serviço, é uma clara afronta à estabilidade familiar e emocional dos trabalhadores, pondo em causa os valores essenciais de uma sociedade”, defendeu o sindicalista, contestando as promessas dos patrões acerca da criação de emprego com a desregulamentação. Pelo contrário, “o que veio a acontecer é que saíram, nos últimos anos, mais de 5.000 trabalhadores para o desemprego”.
Pingo Doce volta a abrir “guerra das promoções” ao 1º de Maio
A insistência nas grandes promoções num dia que sempre foi de descanso dos seus trabalhadores surge na semana em que o grupo Jerónimo Martins anunciou lucros de 62 milhões de euros no primeiro trimestre do ano.
Para além de abrir portas no 1º de Maio, o Pingo Doce também anunciou promoções especiais em alguns produtos, tentando atrair mais clientes e mais polémica no Dia do Trabalhador, à semelhança do que aconteceu há dois anos.
Ainda em 2012, a Autoridade da Concorrência viria a multar a cadeia de supermercados por vender produtos abaixo do preço de produção no dia 1º de Maio. A multa foi de 30 mil euros, um valor insignificante face à dimensão da operação. Mas em fevereiro de 2013, o Tribunal da Concorrência viria a reduzir essa multa para menos de metade: 12 mil euros, valor que corresponde a menos de um minuto na faturação da cadeia de supermercados. A insistência nas grandes promoções num dia que sempre foi de descanso dos seus trabalhadores surge na semana em que o grupo Jerónimo Martins anunciou lucros de 62 milhões de euros no primeiro trimestre do ano.