«Há um investimento do erário público português e estamos a "exportar" enfermeiros a custo zero. Há aqui uma falta de visão política», disse Germano Couto aos deputados. O bastonário referiu um estudo da Administração Central de Sistemas de Saúde, realizado há dois anos em 50 hospitais, que concluiu serem necessários mais 3500 enfermeiros naquelas unidades de saúde.
A sangria de profissionais de enfermagem no nosso país explica-se pelas condições oferecidas pelos hospitais portugueses, público e privados. O esquerda.net falou com um enfermeiro à procura de emprego desde meados do ano passado e a sua experiência confirma a razão pela qual as contas da Ordem registaram 200 pedidos de declarações para trabalhar no estrangeiro só nas três primeiras semanas deste ano, a juntar aos 1724 que fizeram o mesmo no ano passado. "Nove em cada dez propostas de trabalho que encontrei eram para fora do país, sobretudo para França, Suíça, Reino Unido, Irlanda e Bélgica", diz este enfermeiro.
As causas deste êxodo de profissionais formados em Portugal prendem-se com a precariedade que é oferecida no nosso país, com as empresas de trabalho temporário a constituírem uma boa fatia da oferta de emprego no sector. Com o bloqueio à entrada de enfermeiros no SNS, "a contratação deixou de ser mais apelativa no privado", diz este enfermeiro à procura de trabalho, acrescentando que no sector público as condições de trabalho também se degradaram nos últimos tempos. "Os profissionais que conheço no SNS dizem que, de uma forma geral, os serviços estão caóticos, falta pessoal e o material é escasso", refere ainda.
Este ano, a Ordem dos Enfermeiros quer elaborar "um estudo relevante para detetar as necessidades de cuidados de Enfermagem nos serviços de saúde", refere a nota publicada no seu site, dando como exemplo inaceitável que um hospital não pode ter um enfermeiro para mais de vinte doentes dependentes como está a suceder em diversas unidades do País.
"Exportamos enfermeiros a custo zero", diz bastonário
11 de fevereiro 2012 - 12:41
A saída de muitas centenas de enfermeiros para o estrangeiro, face à precariedade e más condições oferecidas em Portugal, contrasta com a necessidade de profissionais de enfermagem nos hospitais portugueses, disse o bastonário da Ordem dos Enfermeiros à comissão parlamentar de Saúde.
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A precariedade e as más condições oferecidas estão a levar os enfermeiros de carne e osso a sair do país que os formou. Foto Paulete Matos