Académicos entregam calculadora a Nuno Crato em protesto

06 de janeiro 2014 - 10:32

Um grupo de académicos vai levar esta segunda-feira ao Ministério da Educação uma carta e uma máquina calculadora para contestar os cortes orçamentais no Ensino Superior, que afirma decorrer de “um confisco arbitrário de 42 milhões de euros”.

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“O Governo não pode andar com a bandeirinha portuguesa ao peito e pensar que é dono do país", defendeu o reitor da Universidade de Lisboa. Foto de Paulete Matos

A iniciativa inclui um abaixo-assinado subscrito por cerca de cem universitários, a nível nacional, na sexta-feira, e hoje deslocar-se-á ao Ministério da Educação uma delegação de 20 a 30 elementos, disse à agência Lusa o investigador José Emílio Ribeiro, membro do Conselho Geral da Universidade de Lisboa.

De acordo com José Emílio Ribeiro, a iniciativa é apoiada por académicos tanto de esquerda como de direita: “É um problema de respeito constitucional”.

Na carta, são expostas as razões do protesto de professores universitários, docentes dos politécnicos e investigadores, que pretendem oferecer uma máquina de calcular ao ministro da Educação, Nuno Crato.

Tanto o Governo como o ministro, defendem, precisam de “melhorar as suas capacidades técnicas”, nomeadamente em sede de execução do Orçamento do Estado para 2014.

“Estamos a ser penalizados acima do que devíamos, por um erro técnico”, alegou.

Já no final do ano, o reitor da Universidade de Lisboa, António Cruz Serra, denunciou “um erro” na proposta de orçamento com um impacto de 30 milhões de euros no conjunto das universidades portuguesas.

“O Governo não pode andar com a bandeirinha portuguesa ao peito e pensar que é dono do país. O Governo não é dono do país”, sublinhou.

Os reitores chegaram a cortar relações com o Ministério da Educação e Ciência por causa dos cortes sucessivos a que as instituições têm sido sujeitas, mesmo depois de terem os orçamentos elaborados, o que levou à intervenção do primeiro-ministro, sem resultados práticos até ao momento.

“Num país ocidental, democrático, estas coisas não podem acontecer”, frisou reitor da Universidade de Lisboa.