Acordo à vista para dívida norte-americana

01 de agosto 2011 - 12:16

Barack Obama e os líderes das duas bancadas na Câmara dos Representantes anunciaram no domingo à noite um princípio de acordo para elevar o tecto de endividamento a tempo de evitar o "default". Paul Krugman diz que os cortes orçamentais previstos no acordo vão agravar a recessão e piorar o problema do défice.

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Barack Obama pode assinar o aumento do tecto da dívida, mas a batalha com os republicanos ainda vai a meio. Foto stilakes/Flickr

A contagem decrescente para o momento em que os EUA deixariam de se poder financiar - e em consequência, de continuar a pagar as suas dívidas - acabava na terça-feira e os políticos Republicanos e Democratas passaram o fim de semana em intensas negociações, após o chumbo do primeiro plano no Senado, que continha cedências à ala extremista do Tea Party, com peso na bancada republicana.



"O acordo assegura que não nos vamos confrontar com este problema outra vez daqui a seis, oito ou doze meses", declarou Obama. O plano ainda em negociações prevê cortes na despesa pública de 2,4 biliões de dólares nos próximos dez anos, um comité parlamentar que prepare uma proposta de redução do défice até Novembro e o aumento do tecto da dívida em duas fases.



Uma das críticas à solução encontrada partiu de Paul Krugman na coluna de opinião que tem no New York Times. Intitulada "o presidente rende-se", nesta crónica o Nobel da Economia não poupa palavras para dizer que o acordo é um "desastre" em tempo de recessão que vai durar "até 2013, ou mesmo para além disso".



"O pior que se pode fazer nestas circunstâncias é cortar a despesa pública, uma vez que isso retrai ainda mais a economia", diz Krugman, antes de comparar os que defendem esses cortes aos "médicos medievais que faziam sangrias para tratar os doentes, deixando-os ainda mais doentes".



Para Krugman, a rendição de Obama começou em Dezembro, quando alargou os cortes fiscais de Bush e continuou na primavera quando ameaçou fazer parar o governo. O economista defende que Obama devia ter pedido a subida do tecto da dívida em Dezembro em vez de se tornar quase refém da "chantagem por parte duma minoria de extremistas". "Não nos enganemos, estamos a assistir a uma catástrofe a vários níveis", alerta Paul Krugman, referindo-se ao braço de ferro e à crescente tensão que tem marcado a política norte-americana.

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