Depois de uma longa campanha, em junho de 2018 Mohammad bin Salman anunciava que as mulheres poderiam finalmente conduzir na Arábia Saudita. Um mês antes, Loujain al-Hathloul, uma das mulheres que lutara por esse direito, tinha sido detida.
Na altura, considerou-se que a detenção da ativista foi uma forma de deixar claro aos sauditas que a mudança no reino ultra-conservador só poderia ocorrer de baixo para cima, e não com campanhas políticas.
A acusação só chegou em dezembro de 2020: Loujain teria alegadamente estado em contacto com Estados “hostis ao reino”, teria "fornecido informações classificadas como secretas” e “desestabilizado a segurança nacional”.
E esta semana ficou a saber que foi condenada a cinco anos e oito meses de prisão, segundo decretado pelo tribunal especializado em terrorismo. Dois anos e dez meses da pena foram suspensos, o que significa que a ativista, detida há dois anos e sete meses, poderá vir a ser libertada no final de fevereiro de 2021.
A acusação fala em contactos com a União Europeia, o Reino Unido e a Holanda, mas estes são países com os quais a Arábia Saudita mantém relações.
“Não mencionam nada sobre informações sensíveis, só evocam o seu ativismo. É acusada de ter falado da situação dos direitos humanos na Arábia Saudita em conferências internacionais e com organizações não governamentais”, afirmou Lina al-Hathloul, irmã de Loujain, em declarações citadas em Portugal pelo jornal Público.
A família de Loujain e várias organizações de defesa dos direitos humanos vieram a público denunciar situações de tortura e assédio sexual a que a ativista foi submetida na prisão. O Comité para os Direitos das Mulheres das Nações Unidas já tinha vindo a público expressar a sua preocupação com o bem-estar de Loujain al-Hathloul e pede agora a sua libertação imediata.
A ativista de 31 anos já tinha sido detida várias vezes por desafiar a antiga lei que impedia as mulheres de conduzir e por fazer campanha contra a lei que coloca as mulheres sob a tutela de um familiar do sexo masculino.