O bairro autoconstruído da Penajoia foi notícia este verão por causa da intenção do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), o proprietário destes terrenos no concelho de Almada que deixou ao abandono, de proceder à demolição das casas ali construídas. Viviam na altura no bairro cerca de 350 pessoas em 160 agregados familiares e a mobilização dos moradores, cujo número cresceu com a pandemia e a crise da habitação, fez recuar o IHRU.
Mas nos meses seguintes intensificaram-se as ações de fiscalização no bairro, com a Câmara a notificar moradores com contra ordenações por construções ilegais. Em setembro foi também denunciado o corte do abastecimento de água por parte dos serviços municipais de Almada, o que levou a comissão de moradores e outros coletivos solidários a apontar a “insensibilidade” da Câmara Municipal de Almada e a intenção de “criminalizar as vítimas da crise de habitação”.
Habitação
No Bairro da Penajoia, “o IHRU comportou-se como o pior dos proprietários privados”
Esta semana, o movimento Vida Justa denunciou que os postes de abastecimento de energia elétrica foram desligados dois dias antes do Natal, deixando o bairro sem iluminação nos espaços exteriores e sem eletricidade dentro das habitações.
“Assim, várias centenas de famílias estão neste momento na completa escuridão e sem qualquer informação sobre a situação da eletricidade, apesar de todos os esforços que têm feito junto do IHRU e da Câmara Municipal de Almada para que sejam salvaguardas formas de vida com as mínimas condições de salubridade e segurança”, refere o movimento em comunicado, alertando para o aumento do risco de incêndio numa comunidade “que também já luta com a falta de água”.
O Vida Justa acusa as duas instituições de empurrarem a solução dos problemas uma para a outra, nomeadamente quanto aos pedidos da estabilização da situação da eletricidade feitos há mais de um mês pela associação de moradores.
“Passámos o Natal sem luz, às escuras e ao frio. Os moradores acendem fogueiras para se aquecerem e temos receio que haja incêndios”, disse à agência Lusa Esvarena de Sousa, da Associação de Moradores de Penajoia, adiantando que até ao momento nenhuma entidade deu resposta aos problemas do bairro.
A agência Lusa contactou a Câmara Municipal de Almada e a E-Redes e ambas recusaram responsabilidade pelo corte de eletricidade. O IHRU não respondeu até ao final da tarde de sexta-feira.