BdP: Economia afundará mais que o previsto em 2013

13 de novembro 2012 - 16:02

No seu Boletim Económico de Outono, o Banco de Portugal revê em baixa as previsões para a economia portuguesa no próximo ano. O Bdp espera uma recessão de 1,6%, bem acima do 1% anunciado pelo Governo, e avisa que pode ser ainda pior. Também o défice de 2012 irá derrapar para os 6,2%, sem as medidas temporárias.

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Boletim de Outono do Banco de Portugal revê em baixa as perspetivas para a economia portuguesa e avisa que pode ser ainda pior.

Para que o Governo consiga chegar ao défice de 5% do PIB, vai precisar de recorrer a medidas temporárias equivalentes a 1,2% do Produto Interno Bruto português, assinala o Banco de Portugal, elevando a derrapagem do défice para mais 0,2% do que o Governo previu para o ano corrente.



Mas é nas previsões para o próximo ano que o Banco de Portugal mais se afasta dos números de Coelho e Gaspar. Se no Boletim Económico do Verão, o BdP estimava para 2013 um crescimento nulo, o anúncio das medidas do Orçamento de Estado obrigou a novos cálculos, que indicam uma recessão de 1,6%, ou seja, 0,6% a mais do que o Governo calculou. A cumprirem-se as previsões, a economia portuguesa estará em recessão pelo terceiro ano consecutivo.



O relatório prevê ainda que o "consumo privado deverá reduzir-se 3.6 por cento em 2013, o que implica uma queda acumulada de cerca de 13 por cento no período 2011-2013" e o rendimento disponível das famílias deverá cair, refletindo "o impacto das medidas de

consolidação orçamental a adotar neste período, destacando-se as alterações de tributação direta". "O elevado grau de incerteza associado à dinâmica do processo de ajustamento da economia e à situação no mercado de trabalho deverá também contribuir para o adiamento de despesas de consumo, em particular em bens duradouros, num contexto de condições de financiamento restritivas", prevê ainda o Boletim de Outono do BdP.



As previsões negativas sobre o crescimento da economia portuguesa poderão ainda alterar-se para pior, avisa o BdP. As razões para esta possibilidade vir a concretizar-se prendem-se com "os processos de ajustamento de desequilíbrios estruturais em algumas economias, em particular na área do euro, num quadro de dificuldades de resolução da crise da dívida soberana", diz o relatório. O cenário de incerteza a nível internacional é repetido no que diz respeito à situação interna, onde "o consumo privado poderá apresentar uma redução mais acentuada do que a considerada no cenário central", acrescenta o BdP.

Sindicatos e patrões avisam que 2013 será ainda pior

"De acordo com os dados que temos, que partem duma análise de base feita através de dados do FMI, a recessão pode atingir os 2,5% no próximo ano, o que só confirma que o processo que está em marcha no nosso país não vai resolver nada", afirmou Arménio Carlos, líder da CGTP à agência Lusa. Para João Proença, da UGT, "estas previsões confirmam que para o ano vamos ter uma crise muito maior; o Banco de Portugal vem confirmar o agravamento da crise e é interessante verificar que estas previsões surgem uma semana depois das previsões da União Europeia que confirmaram as previsões do Governo, ou seja, algo vai mal quando a União Europeia e o Banco de Portugal, num prazo muito curto, dão previsões muito distintas".

Mas não são apenas os sindicalistas a desconfiar das previsões do Governo e do Banco de Portugal. Também João Vieira Lopes, da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, partilha das previsões dos sindicatos. "Prevemos que a manter-se tudo o que está no Orçamento do Estado para 2013, é altamente provável que a recessão passe os 2%", estima Vieira Lopes.

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