Realizou-se neste sábado a IV Convenção Regional do Bloco Açores que aprovou a moção política “Autonomia contra a austeridade”, alterou os estatutos do partido e elegeu a nova comissão coordenadora regional. Na Convenção participaram a coordenadora do Bloco, Catarina Martins, e o líder parlamentar, Pedro Filipe Soares.
No encerramento da convenção e segundo a agência Lusa, a nova coordenadora regional, Lúcia Arruda apelou "à luta" pelo derrube do governo da República, "que transpôs para Portugal os objetivos da grande finança e da grande burguesia europeia", e disse que o PS não é alternativa, porque está ao lado do PSD e do CDS nesta questão.
Lúcia Arruda acusou o PS/Açores de, em 2011, ter assumido "a inevitabilidade e até a bondade" do memorando da 'troika" e, depois, envolver-se num "malabarismo" em torno da lei das finanças regionais.
"O PS Açores, na defesa de Sócrates, isto é, da política da troika, ao invés de defender os Açores, assumiu que não passavam de meros normativos administrativos. Pois estão à vista: redução substancial de transferência de verbas para a região e mais aumentos de impostos", destacou Lúcia Arruda.
A nova coordenadora regional do Bloco Açores afirmou que o partido apoiará sempre todas as propostas "a favor dos açorianos", mas não alinhará em "arranjinhos de poder e negociatas feitas em desfavorecimento da população" e salientou que o Bloco estará "na primeira linha" de defesa da autonomia.
O Bloco Açores alerta para a questão da base das Lajes e para a necessidade de defender da "cobiça" dos privados e da República o mar dos Açores, que constituirá 2/3 da plataforma continental nacional que será aprovada na ONU este ano.
Salientando que "não é aceitável continuar as peregrinações aos EUA a pedir por esmola o que é nosso", Lúcia Arruda disse que os norte-americanos têm de "compensar os trabalhadores a despedir" e "a economia da ilha Terceira" e de "limpar a brutal pegada ecológica que lá deixam".
O Bloco Açores exige ao governo da República a imposição de "uma moratória para o encerramento integral da base militar" e medidas para a retoma económica da Terceira.
Bloco Açores passa a ter coordenação paritária
Zuraida Soares deixou a coordenação do Bloco Açores, que assumia desde 2004, e a nova coordenação será paritária e composta por Lúcia Arruda, de São Miguel, e Paulo Mendes, da ilha Terceira.
“Chegamos a um momento em que olhamos à nossa volta e vemos que há outras pessoas, eventualmente mais jovens, determinadas, com o mesmo tipo de convicções e a mesma capacidade de luta, a mesma alegria e esperança no combate político que nós travamos diariamente e cada vez mais temos de travar. E se olharmos com atenção e virmos esses rostos ao nosso lado, temos a obrigação de dizer: vem, agora é a tua vez, mas eu continuo aqui”, afirmou Zuraida Soares, segundo a agência Lusa.
Zuraida Soares continuará a integrar a comissão coordenadora e a ser a deputada do Bloco no parlamento dos Açores.
Para Zuraida Soares, uma liderança partilhada faz todo o sentido nos Açores, uma região que tem “especificidades únicas”, sendo constituída por nove ilhas. “Quase me apetecia dizer que a coordenação devia ter nove coordenadores, um por cada ilha, porque isso é que seria afirmar a diferença da Região Autónoma dos Açores”, afirmou.