O Bloco de Esquerda dos Açores reagiu este sábado ao anúncio de uma remodelação no Governo Regional. António Lima defende que de “pouco servirá” mudar “os protagonistas” se for para manter políticas porque “se o Programa do Governo é este e a política será para manter, nada de fundo mudará”.
Segundo o coordenador regional do partido, a “dúvida que assolará este governo para sempre” é “se se esta remodelação é um ato da exclusiva vontade do presidente ou se é uma cedência à chantagem do Chega, que brinca com a vida dos açorianos, que neste momento precisam de um governo que governe, esteja atento aos problemas e que tenha medidas para resolver os problemas”. O dirigente político refere-se à ameaça da extrema-direita de votar contra o próximo orçamento regional o que comprometeria a viabilidade do governo de José Manuel Bolieiro. José Pacheco, do Chega, exigiu uma remodelação no executivo e o cumprimento de várias outras promessas feitas.
António Lima critica que nas últimas semanas o governo esteve “mais preocupado com a remodelação e sobrevivência política do que os inúmeros problemas que a região tem, nomeadamente no que diz respeito ao aumento da inflação”.
Proposta urgente do Bloco nos Açores: aumentar rendimentos e regular preços
E foi precisamente para dar resposta ao aumento do custo de vida que, em conferência de imprensa, o Bloco dos Açores revelou que levará ao parlamento regional uma proposta que recomenda ao Governo Regional o aumento de rendimentos na função pública, “que dá também um sinal para aumentos no sector privado”, e “a regulação de preços de bens essenciais, sempre que for necessário para conter a escalada de preços”.
Para o dirigente bloquista, “estas são medidas simples, mas absolutamente necessárias e urgentes”. Quer-se ainda uma atualização do valor da remuneração complementar em percentagem que permita a compensação total da perda do poder de compra decorrente da inflação prevista para o corrente ano para, pelo menos, os trabalhadores beneficiários dos dois primeiros escalões.
Esta medida permite, “no imediato, proteger o poder de compra desses trabalhadores, dando assim também um forte sinal ao setor privado no sentido de efetuarem aumentos salariais ainda no decorrer deste ano de 2022”, explicou o deputado regional do Bloco de Esquerda. “A região enquanto entidade patronal tem de dar o exemplo de que os trabalhadores não podem
ficar mais pobres com a crise”, considera.
António Lima assinala que “o Governo da República pretende que sejam os trabalhadores a pagar a crise, propondo um aumento salarial irrisório de 0,9% para os trabalhadores da administração pública”, e frisa que “nos Açores a autonomia tem de servir para fazer diferente”.
Tendo em conta que, na República, o PSD já considerou que os aumentos salariais na função pública são irrisórios e que isto significa “Proposta urgente do Bloco nos Açores: aumentar rendimentos e regular preços pela previsível perde de rendimentos nos salários”, António Lima considera que esta proposta do Bloco de Esquerda é uma oportunidade para que o PSD e os partidos da coligação apliquem, nos Açores, aquilo que defendem no continente.
“Se o PSD e a coligação recusarem estas propostas estarão a fazer exatamente o mesmo
que criticam no governo de António Costa: a imposição de perdas salariais aos trabalhadores,
a austeridade de que fala o PSD”, explicou o líder do Bloco.
A proposta do Bloco, apresentada hoje, propõe ainda que o governo regional defina, quando estritamente necessário, margens máximas de venda de bens alimentares e de primeira necessidade com vista a conter a escalada da inflação.
“A escassez de alguns produtos nos mercados exige medidas precaucionárias que evitem aumentos de preços injustificados e por isso especulativos de bens essenciais e de
primeira necessidade”, explicou António Lima, que deu mesmo o exemplo daquilo que foi feito durante a pandemia para impedir a especulação em diversos produtos de proteção individual e de desinfeção”.