“O que o primeiro-ministro veio aqui revelar nesta entrevista é que o Governo vai seguir, neste momento pré eleitoral para as europeias, a mesma estratégia que seguiu para as eleições de 2011: diz que vai cortar nas gorduras excessivas do Estado quando, na verdade, sabemos que corta salários e pensões”, afirmou a deputada bloquista.
Mariana Mortágua lembrou que Passos Coelho prometeu, em 2011, que os cortes eram temporários, dizendo agora que os cortes são permanentes.
“Cortes permanentes são novos cortes. Porque estes trabalhadores, que não iam sofrer cortes em 2015 e em 2016, agora vão ter os mesmos cortes”, frisou.
A dirigente do Bloco de Esquerda referiu também que “há ainda outra informação que ficou muito clara nesta entrevista, e que é a insensibilidade social deste Governo e deste primeiro-ministro”.
Passos Coelho recusa-se, segundo avançou Mariana Mortágua, “a aceitar que a pobreza é consequência direta das políticas de austeridade”.
“Recusa-se a aceitar as consequências das suas políticas mas diz mais: diz que quer impor um teto aos apoios que o Estado pode dar a estes pobres. Diz que, independentemente do aumento da pobreza, que é uma consequência das suas políticas, está disposto a limitar os apoios àqueles que são mais pobres”, avançou a deputada bloquista.
“A entrevista a que hoje assistimos revela um primeiro insensível e cruel não preocupado com o futuro e o bem-estar da população do país mas também um primeiro-ministro agarrado ao poder, que não está disposto a aceitar as consequências dos resultados eleitorais que se avizinham”, acrescentou ainda Mariana Mortágua.
Passos Coelho defende que o sistema de pensões terá de incluir uma redução do seu valor
Durante a sua entrevista à SIC, Pedro Passos Coelho defendeu que os cortes atualmente aplicados aos salários e pensões "vão ter de permanecer durante mais algum tempo".
No que respeita às pensões, e sublinhando que o atual sistema não é sustentável, o primeiro-ministro reforçou ainda que até ao final de abril será encontrada uma solução definitiva. "Tal como o Tribunal Constitucional admitiu, é possível que possa haver uma parte do problema que possa ser resolvido por uma redução do próprio valor da pensão, que nunca será tão grande como é hoje", enfatizou.
Sobre os salários, Pedro Passos Coelho referiu que estes não podem ser aumentados, no Estado ou no setor privado, "acima daquilo que é a produtividade".
O líder do PSD afirmou ainda que o Governo está " a trabalhar, para futuro, por exemplo, na possibilidade de introduzir um teto ao volume de prestações socias que o Estado, entre Administração Central e Administração Local, pode transferir para os cidadãos".
Questionado sobre se equacionaria demitir-se perante uma derrota da coligação PSD/CDS-PP nas eleições europeias, Passos Coelho deixou claro que não associa esses atos eleitorais à governação.
"Nem pensar. Não me demiti por causa das eleições autárquicas e não me demitiria por causa das eleições europeias. Eu tenho um mandato para respeitar e esse é um mandato que, salvo circunstâncias muito extraordinárias, deve ser um mandato sagrado", salientou.