Francisco Louçã defendeu, esta terça-feira, que a única alternativa consistente à política do governo é romper com o memorando e renegociar a dívida e os juros cobrados a Portugal. ”As duas alternativas que têm sido apresentadas à solução da dívida para manter o quadro do memorando da troika entraram em fracasso absoluto", afirmou o coordenador da comissão política do Bloco, em conferência de imprensa.
As duas alternativas, precisou Louçã, são a do Governo, onde fica “tudo na mesma, não muda nada, a não ser que haja uma esmola de Bruxelas ou de Frankfurt", e a do Partido Socialista, para que "haja mais tempo para mais austeridade". As duas posições, adiantou, conduzem ao mesmo resultado, “mais dívida” e incapacidade de recuperação da economia.
“É por isso que o Bloco de Esquerda não pede mais tempo, o que exigimos é uma reestruturação da dívida, uma negociação das condições [de pagamento] que permitam evitar a austeridade, proteger os salários e proteger as pensões”. O primeiro passo nesse sentido, adiantou o deputado do Bloco, será “romper” com o memorando assinado com a troika.
O segundo passo é “reestruturar o conjunto da dívida portuguesa”. Portugal tem que declarar a “anulação de todos os juros abusivos”, diz Louçã, referindo-se tanto à troika como aos credores privados para os quais transferiu, aos longo dos últimos noves anos, mais de 600 biliões de euros de amortização de divida e mais de 54 biliões de euros de juros, entre 2002 e 2011”, declarou Francisco Louçã.
“Queremos fazer, em resumo, exatamente aquilo que fez a Alemanha quando precisou: renegociar com os credores para a abater uma parte importante da dívida, a começar pelos juros extorsionários que Portugal não tem o direito de pagar. Quando a Alemanha precisou, cortou dois terços da dívida e indexou o pagamento da restante dívida às taxas de crescimento do produto e às exportações”, concluiu.
A resolução da Mesa Nacional do Bloco de Esquerda, aprovada na reunião de 7 de Julho, apresenta as bases para um programa para combater a tirania da dívida.