O Bloco de Esquerda quer aprovar até junho uma resolução para reativar as salas de injeção assistida, considerando tratar-se de um mecanismo de redução de riscos essencial para travar "o aumento" do consumo de drogas duras.
O coordenador do Bloco de Esquerda João Semedo disse à Lusa que há um aumento do número de indivíduos toxicodependentes, sobretudo casos de refluxo em relação à heroína, ao mesmo tempo em que ocorre a crescente fragilização dos centros públicos de prevenção e combate ao consumo de drogas.
“Há indicadores de que os serviços de toxicodependência estão a ser mais procurados do que antes", apontou João Semedo, num momento escolhido pelo governo para mudar significativamente o sistema de resposta de tratamento e combate à toxicodependência, fechando e desarticulando o Instituto da Droga e Toxicodependência (IDT).
O coordenador do Bloco de Esquerda defendeu que "devem existir salas de consumo assistido para permitir que os consumidores estejam em ambiente protegido.
“As unidades que resultaram desta desarticulação foram colocadas sob a responsabilidade das administrações regionais de saúde - uma mudança que criou uma instabilidade nos serviços, diminuindo a capacidade de resposta", disse o médico e deputado do Bloco.
Ambiente protegido
O coordenador do Bloco de Esquerda defendeu que "devem existir salas de consumo assistido para permitir que os consumidores estejam em ambiente protegido, num ambiente que os aproxima dos mecanismos de tratamento. Nestas salas, a forma de injetar é garantidamente feita em condições de higiene, não havendo contágio de seringas infetadas", lembrando que o governo também interrompeu o programa de troca de seringas, depois de se terem trocado milhões de seringas nas farmácias. “Agora o governo está a emendar a mão e já está em discussão com a Associação Nacional de Farmácias para que exista um novo protocolo", declarou, já após ter criticado a anterior decisão do executivo de concentrar as trocas de seringas nos centros de saúde.
Para João Semedo, em relação ao fenómeno da toxicodependência, "a regra tem de ser prevenir, porque até sai mais barato, sobretudo em termos de custo humano".
Portugal pagou caro atrasos
João Semedo acredita que a maioria PSD/CDS viabilizará a reativação das "salas de chuto", advertindo que no combate à toxicodependência Portugal pagou caro atrasos por causa de preconceitos e moralismos anquilosados.
"O que o Bloco de Esquerda defende já existe na lei, como a distribuição gratuita de preservativos, a troca de seringas ou as salas de injeção assistida", referiu.
João Semedo recordou que, nos últimos anos, Portugal adotou um modelo de prevenção e de tratamento da toxicodependência elogiado internacionalmente.
"O nosso modelo tem obtido muito bons resultados e tem conquistado a adesão de um maior número de profissionais, mas também tem conquistado uma maior adesão ao nível político-partidário. O que o Bloco de Esquerda defende já existe na lei, como a distribuição gratuita de preservativos, a troca de seringas ou as salas de injeção assistida", referiu.
Ou seja, segundo João Semedo, a resolução do Bloco de Esquerda em matéria de prevenção e combate à toxicodependência "não se traduz em nada de novo, a não ser a força que as necessidades atuais dão a cada uma dessas respostas".
"Espero que, por razões de preconceito e de falsos moralismos, não se coloquem dificuldades políticas para aprovar estas medidas. Tanto mais que já se percebeu que o problema da toxicodependência não se trata fingindo que não existe", advertiu.