O país desautorizou o governo e cumpriu a tradição de festejar o Carnaval, afirmou nesta terça-feira Mariana Aiveca, do Bloco de Esquerda. “Temos centenas de empresas, centenas de autarquias que decidiram fazer a tolerância de ponto”, disse a deputada. “Aliás”, prosseguiu, “a evocação do governo sobre a crise não tem qualquer sentido, porque todos sabemos que estes dias de Carnaval são para muitas economias locais, em muitos concelhos, fatores de dinamização”.
O Bloco de Esquerda reafirmou assim que o governo está de costas voltadas para o país, não respeita o país real e as suas tradições: “quer a todo o custo impor que o país se esqueça do que é a sua tradição”.
Para Mariana Aiveca, “Passos Coelho não conhece o país real e os portugueses e portuguesas foram de facto comemorar o Carnaval”.
Governo não deu tolerância, mas 196 câmaras deram
Depois de o governo ter anunciado em janeiro que não seria concedida tolerância de ponto no Carnaval, e que esse princípio se manterá enquanto decorrer a aplicação do Programa de Assistência Económica e Financeira a Portugal, pelo menos 196 câmaras das 308 do país decidiram dar o dia ou meio dia aos respetivos funcionários. Também os governos madeirense e açoriano deram tolerância.
Para muitas empresas privadas, na grande maioria das empresas de transportes, incluindo as públicas, o Carnaval deu direito a tolerância de ponto porque assim está determinado nas contratações coletivas de trabalho.
Os CTT também deram tolerância de ponto, assim a Caixa Geral de Depósitos, que gozou do acordo coletivo de trabalho que se aplica a todo o setor da banca.