Em declarações à Lusa, o líder parlamentar do Bloco de Esquerda, Pedro Filipe Soares, afirmou que “neste prémio estava simbolicamente representado o negócio do ano”, “a privatização do BPN”. Américo Amorim detém 25% do BIC, que comprou o BPN por 0,5% do valor que lá foi colocado pelos contribuintes.
“Este prémio é simbólico e queremos com esta entrega demonstrar que, afinal, os sacrifícios de muitos são para benefícios de poucos”, disse Pedro Filipe Soares, acrescentando que a privatização do BPN “é ao mesmo tempo um grande negócio para os privados e um desastre para as contas públicas”.
“Na personagem de Américo Amorim, um dos homens mais ricos de Portugal, simbolizamos como são aqueles cada vez mais ricos que beneficiam neste espaço de crise”, frisou o líder parlamentar do Bloco de Esquerda, lembrando que a privatização do BPN fará sair dos cofres do Estado “um valor muito superior a 5.000 milhões de euros mas, na prática, teve um custo para os privados de 40 milhões de euros, menos de um por cento do valor que custará aos contribuintes”. “Os sacrifícios de muitos servem, na prática, para o benefício de poucos”, frisou.
Considerando que a entrega deste prémio a Américo Amorim foi “um ato de profunda ironia”, Pedro Filipe Soares disse que o Monopólio pretendia simbolizar “este jogo viciado de quando os mais ricos ficam sempre mais ricos à custa, muitas vezes, como é o caso do BPN, de má gestão das contas públicas e à custa de um favorecimento claro do que são as contas do Estado”.
“A ironia não é só a do ato que nós fizemos, mas sim de toda a situação que nós vivemos: quando são pedidos sacrifícios a quem não pode sacrificar-se mais no dia-a-dia e quando aqueles que efetivamente mais têm continuam a ser beneficiados”, concluiu Pedro Filipe Soares, que não tendo conseguido entregar o “prémio” em mãos a Américo Amorim, deixou o monopólio à entrada das instalações da Corticeira Amorim, em Mozelos, Santa Maria da Feira.