O Bloco de Esquerda exigiu esta quarta-feira a demissão do ministro da Educação e a anulação da prova de avaliação de conhecimentos dos professores contratados, considerando inaceitável em democracia a entrada de polícias de choque nas escolas.
“Senhor primeiro-ministro, tem de demitir o ministro Nuno Crato depois de termos visto hoje inspeções a substituírem-se a direções de escolas, polícias de choque a entrar em escolas. O que se viu hoje não é aceitável em democracia e ao governo o que resta é anular a prova e demitir o ministro Nuno Crato”, afirmou Catarina Martins logo no início da sua intervenção do debate parlamentar com o primeiro-ministro sobre o Conselho Europeu.
Quase metade dos professores inscritos não fez a prova
Segundo o levantamento da Fenprof, em 40 das 113 escolas não se realizou a prova. O secretário geral da Federação, Mário Nogueira, calculou em seis mil o número de professores que não realizaram a prova imposta pelo Ministério da Educação aos docentes precários com menos de cinco anos de serviço.
As organizações sindicais atestaram que vão continuar a luta contra a prova, seja no plano jurídico ou político. Mário Nogueira insistiu que a prova está “ferida de morte”, e que estão quebradas as condições de equidade entre os professores. Os sindicatos entendem também que a atual equipa do Ministério da Educação não tem condições para continuar em funções.
Os sindicatos responsabilizam o Ministério da Educação pelas perturbações ocorridas nas escolas: “Quando os professores chegam à escola de manhã e há um dispositivo policial como se de bandidos se tratasse, imediatamente está criado o problema, o clima de instabilidade”, afirmou Mário Nogueira, sublinhando que a escola é o espaço dos professores: “Não é o espaço da polícia. Quando há agressões a professores dentro da escola a intervenção não é assim tão pronta, hoje estavam lá a proteger não sei o quê”.
A Fenprof defende que a prova deve ser anulada e tencionam entregar novo pré-aviso de greve se for marcada outra data, por entenderem que se trata de um exame “humilhante, iníquo e desnecessário”.