"Sabemos bem que se deixarmos nas mãos do Governo a discussão sobre a aplicação destes fundos, vai surgir uma comissão que vai ter o setor da grande distribuição, a PT ou a EDP, que não necessitam destes apoios, a definir qual a escolha estratégica de Portugal em termos de investimento e modernização da economia", ironizou a deputada bloquista em declarações à agência Lusa.
Para evitar que isso aconteça e milhões de euros voltem a ser desperdiçados, "este debate deve ser participado por todos e deve ser centralizado no Parlamento", defendeu Ana Drago, que também pediu explicações sobre o anúncio de Álvaro Santos Pereira de que 50% desses fundos sejam dirigidos às empresas.
"Nas percentagens não há somas, há repartições, portanto se hoje esse investimento [em empresas] significa entre 20 a 30% do QREN, então terá de haver cortes noutros setores e como sabem grande parte destes fundos hoje vão para a qualificação e para o potencial humano", sublinhou a deputada do Bloco.
É justamente para que haja "uma escolha democrática" das prioridades do investimento que o Bloco vem propor um grupo de trabalho que "possa chamar à Assembleia vozes da economia e da sociedade civil que façam um debate estruturado, ao longo do tempo, com a participação de todos", uma vez que estes fundos representam "um investimento determinante para Portugal até 2020" que podem levar a "uma transformação nos padrões de desenvolvimento económico da sociedade portuguesa".
"É fundamental que todo o país possa de facto participar para definir qual é a estratégia e o que é que Portugal e a nossa economia querem ser em 2020", concluiu Ana Drago.