Num conjunto de questões endereçadas ao Ministério da Saúde, os deputados João Semedo e Helena Pinto contestam as informações transmitidas pelo conselho de administração do Hospital Professor Doutor Fernando da Fonseca (também conhecido como Amadora-Sintra), e reproduzidas pelo ministério tutelado por Paulo Macedo, sobre a morte de uma senhora de 67 anos que, após aguardar seis horas até ser atendida, acabou por falecer na sequência de um enfarte do miocárdio (Ler artigo: Utente morre no Hospital Amadora Sintra após mais de seis horas de espera).
“Entre outras inverdades e falsidades”, os deputados bloquistas assinalam, por exemplo, o facto de o conselho de administração do Hospital ter indicado que no dia em que esta utente faleceu existiu um pico de afluência, o que teria ocasionado o tempo de espera muito acima do preconizado para a prioridade amarela.
“Ora, por um lado, a prioridade amarela implica o atendimento numa hora, sendo que esta pessoa aguardou mais de seis horas sem atendimento. Por outro lado, não é claro o que se pretende dizer com doentes 'em circulação' mas é certo que este número não corresponde a qualquer pico, como falsamente o conselho de administração quer fazer crer”, destacam João Semedo e Helena Pinto, referindo que “a média de doentes na urgência no Hospital Amadora-Sintra em 2013 foi de 728 utentes por dia”, segundo dados da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS).
“Acresce ainda que o Hospital Amadora Sintra é, evidentemente, parte interessada neste inquérito, estando a agir como juiz em causa própria, pelo que é fundamental garantir a realização de um inquérito por parte de uma entidade independente, designadamente da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS)”, acrescentam.
Tendo em conta que o ministro da Saúde “referiu na Comissão Parlamentar de Saúde que a Entidade Reguladora da Saúde acompanhou o inquérito efetuado pelo Conselho de Administração do Hospital Amadora Sintra e que irá pronunciar-se”, os deputados querem ainda saber a data prevista para “esta pronúncia”.