Bloco quer ouvir responsável do programa de combate à SIDA

01 de dezembro 2012 - 11:26

Nos últimos dois anos houve uma quebra na distribuição de preservativos e na troca de seringas e esta semana foi denunciada a "rutura iminente" do stock de preservativos. Portugal regista o dobro da média europeia de diagnósticos tardios do VIH/SIDA e o Bloco quer ouvir as explicações de António Diniz no parlamento. Na Grécia, os novos casos de infeção triplicaram nos últimos três anos.

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Foto robertelyov/Flickr

No requerimento entregue na véspera do Dia Mundial contra a SIDA, que é assinalado este sábado, o Bloco de Esquerda reagiu às notícias sobre a sobre a quebra na distribuição de preservativos e a interrupção do programa de troca de seringas com um pedido de audição ao responsável pelo Programa Nacional para a Infeção VIH/Sida.



Para o deputado João Semedo, não é “concebível nem aceitável” que se possam verificar ruturas no fornecimento de preservativos ou a interrupção do programa de troca de seringas, porque as medidas de prevenção “são fundamentais e não podem ser encaradas com ligeireza”.



“Num momento em são notórios os cortes na despesa e no financiamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS), é fundamental saber qual a verba disponível para o Programa Nacional para a Infeção VIH/Sida bem como quais os objetivos que orientam a sua ação”, diz o requerimento entregue à presidente da Comissão Parlamentar de Saúde.



António Diniz alertou recentemente que "as condições sociais e a escassez de recursos financeiros podem levar a que a infeção sofra agravamento", acrescentando que "na Grécia há relatos de que a taxa de infeção dos utilizadores de droga disparou". E esta quinta-feira revelou, durante uma conferência na Associação Abraço, que entre 2010 e 2011 foram trocadas menos um milhão de seringas e de preservativos em Portugal, enquanto os diagnósticos precoces foram menos quatro mil.



Apesar de existirem verbas, o responsável diz que “os procedimentos administrativos bloquearam a capacidade de resposta”, o que justifica também que “vá haver sobretudo uma queda, ainda maior, este ano”. embora António Diniz afirme que a troca de seringas é para continuar, o protocolo entre o Governo e a Associação Nacional de Farmácias que permita a troca de seringas terminou no dia 27 de novembro.

O caso grego: novas infeções triplicaram com a crise

De acordo com dados do Centro de Controlo e Prevenção de Enfermidades da Grécia (KEELPNO), se em 2009 foram registados 426 novos casos, só nos primeiros dez meses deste ano o número elevou-se a 1.049. "Estamos muito preocupados porque a extensão da SIDA tem a ver com a extensão da pobreza. Em todo o mundo a SIDA é uma doença da pobreza", disse Nikitas Kanakis, diretor dos Médicos do Mundo na Grécia em declarações à EFE.

"As pessoas mais pobres e mais desesperadas opta pela prostituição ou cai na toxicodependência. Daí este aumento", explica Kanakis, enquanto Dimitra Paraskevá, uma das responsáveos pelo KEELPNO, aponta o aumento da toxicodependência como uma das principais causas do rápido crescimento dos novos casos de VIH-SIDA na Grécia.

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