Centenas de pensionistas e reformados concentraram-se esta quarta feira em frente à Assembleia da República (ver fotogaleria), onde decorria o debate plenário sobre o Orçamento Retificativo, que prevê, entre outros, o aumento da Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES).
Os manifestantes exigiram “respeito” e o fim dos “roubos”, ao som de “Grândola, Vila Morena”, de Zeca Afonso.
Pensionistas estão “a chegar ao limite da sua resistência”
“Não conseguimos perceber porque é que reformados, pensionistas e aposentados são os bodes expiatórios (da crise)”, afirmou José Vieira, da direção da Associação de Aposentados, Pensionistas e Reformados (APRe!), em declarações à agência Lusa. O dirigente associativo lembrou que muitos pensionistas são “a autêntica segurança social das famílias”, ajudando filhos e netos em dificuldades.
A presidente da APRe!, Maria do Rosário Gama, frisou ainda que os pensionistas estão “a chegar ao limite da sua resistência”.
A coordenadora dos Inter-Reformados, Fátima Canavezes, referiu, por sua vez, que “este é um imposto só sobre pensionistas, aposentados e reformados, e considerado por nós inconstitucional porque viola o princípio da igualdade”.
Cortes aplicados aos pensionistas são “crime organizado”
O sociólogo Boaventura de Sousa Santos participou no protesto, na medida em que considera que "os cortes que o Governo está a aplicar aos pensionistas são um crime organizado, cometido pelo Estado, um ato de terrorismo, contra o qual todos devemos lutar".
Em declarações à agência Lusa na terça feira, o professor catedrático jubilado da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra frisou que iria participar nesta manifestação porque pensa “que a situação do país chegou ao limite e que todos os cidadãos se devem juntar contra o que o Governo está a fazer".
O diretor do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra frisou também que os partidos políticos se devem unir “para tentar derrubar este Governo e tentar criar um novo ciclo político para melhorar a vida dos portugueses".
Boaventura de Sousa Santos considerou-se "um pensionista como outro qualquer", a quem o executivo do PSD/CDS-PP cortou entre 40 e 50% da pensão nos últimos 3 anos.
"Descontei para a segurança social, durante 45 anos, centenas de milhares de euros e este Governo sente-se livre para me cortar o que quer na pensão", afirmou, sublinhando que a sua pensão é, neste momento, inferior ao salário da empregada da limpeza do seu escritório de Londres, onde leciona.
O investigador social alertou para o risco de "pobreza abrupta de muitos pensionistas devido aos cortes em curso que os leva ao desespero".
"Este é um Governo de morte", acusou, lamentando que o executivo de Passos Coelho e Paulo Portas só se preocupe em cumprir as obrigações para com os credores externos e esqueça as obrigações para com os credores internos, "os que descontaram toda a vida para ter uma pensão".
"Na Alemanha as pensões são uma propriedade dos trabalhadores, ninguém lhes pode mexer. Aqui não é assim, mas há um contrato, que o Estado não está a cumprir, por isso vou para rua e não é tanto pela minha situação pessoal mas porque acho que o Governo atingiu o limite e que Portugal não é um milagre mas sim um pesadelo", referiu.