Os resultados do concurso foram finalmente divulgados pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e confirmam a extensão dos cortes no financiamento do trabalho dos investigadores portugueses. Apenas 9% dos 3.433 candidatos a bolsas de doutoramento tiveram luz verde no concurso, o mesmo acontecendo a 10% dos 2.100 candidatos a bolsas de pós-doutoramento.
A Associação dos Bolseiros de Investigação Científica (ABIC) fala numa "verdadeira razia" que se segue às várias atribulações de um concurso polémico e que ficou marcado por "sucessivos atrasos no início do concurso, problemas informáticos, e a introdução de regras de exclusão, factores que impediram que muitos sequer se candidatassem, conseguindo assim a FCT subir artificialmente as percentagens de aprovações, à custa da sua própria credibilidade".
Para contestar os "cortes brutais" que o resultado do concurso veio revelar, a ABIC agendou uma concentração nacional de candidatos e bolseiros para a próxima terça-feira, dia 21 de Janeiro, pelas 15h, junto à sede da FCT. A par desta iniciativa de protesto, a Associação apela ainda "a que bolseiros, investigadores e outro pessoal em instituições de I&D possa marcar o seu descontentamento com a afixação de faixas pretas nas suas instituições".
Para a Associação de Combate à Precariedade - Precários Inflexíveis (ACP-PI), estes números mostram que "a investigação recuou 20 anos", já que "os níveis de financiamento da investigação deste concurso significam um retorno a valores anteriores a 1994". A ACP-PI prevê que muitos dos investigadores que viram a sua candidatura rejeitada "engrossarão os números de pessoas altamente qualificadas que mensalmente são obrigadas a emigrar ou a desistir de investigar".
Para os trabalhadores precários, o panorama da investigação científica em Portugal é bastante sombrio, já que "as universidades há muito que fecharam as portas a novas contratações, a carreira de investigador está congelada e mesmo os contratos Investigador FCT que foram atribuídos recentemente cobriram apenas 14% dos investigadores que se candidataram".
O resultado confirma a tendência que se mantém nos últimos anos no que respeita à fatia do PIB atribuída a despesas em Investigação e Desenvolvimento, que tem vindo a diminuir nos últimos anos. Uma situação ainda mais grave, tendo em conta que o próprio PIB também encolheu com a aplicação das medidas recessivas por parte dos últimos governos.