Moise Mugenyi Kabagambe, um jovem congolês de 24 anos, foi espancado durante 15 minutos até à morte por querer cobrar o pagamento de dois dias de trabalho em falta. A agressão aconteceu num quiosque na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio de Janeiro, na passada segunda-feira, onde trabalhava como ajudante de cozinha, segundo o Correio Braziliense.
A situação foi captada por várias câmaras de videovigilância e está a ser investigada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro.
Segundo uma nota de imprensa da comunidade congolesa no Rio de Janeiro, cinco pessoas agrediram Moise, incluindo o gerente do estabelecimento, com paus e um taco de baseball. O jovem terá morrido no local.
Na nota pode ler-se que “esse ato brutal, que não somente manifesta o racismo estrutural da sociedade brasileira, mas claramente demonstra a xenofobia dentro das suas formas, contra os estrangeiros, nós da comunidade congolesa não nos vamos calar”.
O jovem congolês estava no Brasil desde 2011, data em que fugiu da guerra da República Democrática do Congo.
Manifestações para exigir justiça pela morte do jovem decorrem em várias cidades brasileiras
As capitais do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais vão receber ações de protesto, este fim de semana, a exigir que se faça justiça pela morte de Moise, de acordo com site Brasil de Fato.

No Rio de Janeiro, o protesto será no sábado às 10h em frente ao local do crime, no quiosque Tropicália, na Barra da Tijuca. Em São Paulo será no mesmo dia em frente ao Museu de arte de São Paulo Assis Chateaubriand e em Belo Horizonte é realizada esta quinta-feira na Praça Sete.
A mãe de Moise, em declarações ao jornal Globo, disse que “eles quebraram as costas do meu filho, quebraram o pescoço. Eu fugi do Congo para que eles não nos matassem. No entanto, eles mataram o meu filho aqui como matam no meu país. Mataram o meu filho aos socos, pontapés. Mataram-no como a um bicho”.
Reações multiplicam-se
A morte do jovem já teve consequências e a Prefeitura do Rio vai suspender o licenciamento do quiosque Tropicália e a administradora, a concessionária Orla Rio, também vai suspender qualquer trabalho no estabelecimento até haver conclusões da investigação.
A deputada do PSOL e presidente da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Daniela Monteiro, tal como a Ordem dos Advogados do Brasil já se reuniram com os familiares de Moise.