Câmara de Oeiras paga “almoços de trabalho” milionários

18 de agosto 2023 - 12:32

Isaltino Morais, membros do seu gabinete e os seus vereadores gastaram perto de 140 mil euros em 1.441 “almoços de trabalho”. As faturas provam gastos exorbitantes. A vereadora independente Carla Castelo pensa que “não é admissível que autarcas abusem dinheiros públicos em restaurantes de luxo desta forma obscena”.

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Isaltino Morais. Foto do Município de Oeiras.
Isaltino Morais. Foto do Município de Oeiras.

Presunto pata negra, champanhes caros, lagosta e vários tipos de marisco, sushi, leitão, ostras ou até“saké afrodisíaco” fazem parte do “menu” dos “almoços de trabalho” pagos pela Câmara Municipal de Oeiras. Desde 2017, esta autarquia gastou 138.986 euros com 1.441 deles.

Uma investigação da revista Sábado detalha estes gastos. Com vários dos almoços a custar algumas centenas de euros, o mais caro dos quais, em 2018, custou 1.498, enquanto que outros ficavam na casa dos 800 ou 900 euros. Alguns dos almoços relatados prolongaram-se até às 20 horas.

Muitas das faturas não especificam o consumido e não se percebe quem são os “convidados externos” que surgem referidos. Noutros casos há dirigentes autárquicos que, segundo as faturas, terão almoçado mais do que uma vez no mesmo dia. Por exemplo a vereadora Joana Baptista terá, no dia 10 de fevereiro de 2021, almoçado ao mesmo tempo em quatro restaurantes. Tendo ainda, segundo as faturas, almoçado duas vezes em 11 outras circunstâncias. E está longe de ser caso único: o vice-presidente Francisco Rocha Gonçalves fê-lo nove vezes, o vereador Pedro Patacho quatro, o presidente Isaltino Morais, a sua adjunta e o seu chefe de gabinete três.

O presidente da autarquia justificou serem almoços com “dirigentes de instituições públicas” em grande parte e garante que “não é nem nunca foi prática a refeição com extravagâncias”, estando, para ele, tudo “dentro da legalidade”.

O semanário faz a comparação com o mandato do seu antecessor, Paulo Vistas, que dirigiu o executivo municipal entre 2013 e 2017. Nesse mandato houve 788 refeições pagas nas quais foram gastos 69.502 euros.

Enorme gravidade e falta de ética”

A vereadora independente eleita pela coligação Evoluir Oeiras, Carla Castelo, exige “um cabal esclarecimento” destas situações porque “o dinheiro do município não é de Isaltino Morais”.

Para ela, o relatado na reportagem é “de uma enorme gravidade e falta de ética” e “não é admissível que autarcas abusem dinheiros públicos em restaurantes de luxo desta forma obscena”.

A vereadora defende ainda que haja “uma atuação regrada daqui para a frente” e que “a sobriedade deve ser regra no uso de despesas de representação na administração pública”.