CDS chumba proposta do Bloco apresentando-a, depois, como sua

20 de novembro 2012 - 16:48

O mesmo CDS que veio para a imprensa defender um corte para metade no financiamento das campanhas eleitorais, e que a proposta só não avançou depois do “não” do PSD, afinal chumbou no dia 8 de Novembro uma proposta do Bloco que defende um corte de 50% em todas as campanhas eleitorais.

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CDS diz ter defendido, no seio do Governo, proposta para reduzir em 24 milhões de euros o financiamento público das próximas eleições, uma semana depois de ter chumbado proposta nesse sentido do Bloco de Esquerda.

O fim-de-semana ficou marcado pelas notícias de mais um desentendimento entre os dois partidos da coligação governamental. Na origem da pretensa discórdia estava a lei de financiamento dos partidos, com o CDS a tornar público que defendia um corte de 50% nas despesas das campanhas mas que o PSD rejeitou a sua pretensão e obrigou o partido de Paulo Portas a "congelar" a sua pretensão.

O que as notícias não contaram, na altura, é que o mesmo CDS votou contra uma proposta do Bloco exatamente igual à que se vangloria de ter defendido no seio do Governo.

A proposta levada a votos pelo Bloco de Esquerda defendia que "a subvenção das campanhas eleitorais, bem como os limites das despesas de campanha eleitoral (...) são reduzidos em 50%". A ser aprovada, esta medida que apenas contou com os votos favoráveis do Bloco e PCP, significaria uma poupança de 24 milhões de euros nas próximas autárquicas, ou 45 milhões de euros nos próximos 3 anos.

A mesma poupança de 24 milhões de euros que o CDS, numa operação de cosmética mediática, dizia ser a sua pretensão e que apenas não tinha avançado através da irredutibilidade do PSD. A iniciativa do Bloco surgiu na sequência de um projeto conjunto do PSD e CDS - que defende um corte muito mais modesto, de 20% , e apenas durante o período de vigência do programa da troika – foi chumbada no passado dia 8 de Novembro, com os votos contrários do PSD, PS e também CDS.

Em declarações ao jornal Expresso, o líder parlamentar do Bloco considera que “os factos falam por si". "Apresentámos uma proposta de corte de 50% do financiamento público e dos gastos das campanhas eleitorais, sendo que o nosso corte seria permanente, e não temporário. E o CDS, que aparentemente veio depois apresentar essa ideia ao PSD, votou contra", resume Luís Fazenda. 

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