Centrais sindicais recusam jogo político de Passos sobre o salário mínimo

09 de abril 2014 - 16:11

CGTP e UGT exigem a atualização do salário mínimo e recusam o aproveitamento político por parte do primeiro-ministro sobre o tema, a poucas semanas das eleições europeias.

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Foto Paulete Matos

"O primeiro-ministro desafiou a UGT. A UGT reafirmou não estar em condições de fazer qualquer acordo de concertação antes das eleições europeias ou da saída da 'troika'. Para nós, isto está óbvio. Não queremos que haja um qualquer aproveitamento a favor ou contra o Governo ou qualquer partido político. O movimento sindical tem que ser imune a esta matéria", defendeu o secretário-geral da UGT à saída do encontro com Passos Coelho, Mota Soares e Carlos Moedas.

Carlos Silva defendeu a atualização imediata do salário mínimo para os 500 euros e reafirmou que a UGT não aceita participar no "folclore eleitoral" em torno do aumento do salário mínimo, que Passos Coelho diz agora querer concretizar depois da maioria PSD/CDS ter chumbado todas as iniciativas nesse sentido.

Para Arménio Carlos, a CGTP não pode aceitar "de forma nenhuma que o salário mínimo nacional seja moeda de troca para uma nova ofensiva que irá empobrecer ainda mais os trabalhadores". O secretário-geral da CGTP diz que antes de dar início a novas negociações sobre o salário mínimo falta cumprir o acordo que existe e previa o aumento para 515 euros a 1 de junho. "Não se pode passar para outro processo sem encerrar este", declarou Arménio Carlos à agência Lusa no fim do encontro com o Governo. 

Para Arménio Carlos, a CGTP não pode aceitar "de forma nenhuma que o salário mínimo nacional seja moeda de troca para uma nova ofensiva que irá empobrecer ainda mais os trabalhadores"

A CGTP acredita que a vontade súbita de Passos Coelho em recuar nesta questão tem a ver com outros pontos em que o Governo quer ir mais longe para tirar mais direitos e rendimentos dos trabalhadores, "mexendo nas indemnizações e na contratação coletiva", eliminando cláusulas "que hoje são mais favoráveis aos trabalhadores" e cortando em subsídios, abonos e na remuneração das horas extraordinárias, para além da baixa das indemnizações por despedimento ilegal. 

Para Arménio Carlos, misturar o aumento do salário mínimo com outras questões pendentes na concertação social "é o mesmo que dizer que nós, para aceitarmos a subida de 15 ou 30 euros, seríamos confrontados com propostas que retirariam 150 a 200 euros aos trabalhadores na sua retribuição".