A marcha contra o desemprego organizada pela CGTP iniciou-se a 5 de outubro em várias cidades do país e terminou neste sábado em Lisboa. Uma parte dos manifestantes partiu de Braga, passando por Matosinhos, Porto, Gaia, Feira, Aveiro, Coimbra, Figueira da Foz, Leiria, Marinha Grande, Tomar, Entroncamento e Vila Franca de Xira. Outra parte da marcha partiu de Vila Real de Santos António, dirigindo-se por Castro Verde, Aljustrel, Moura, Serpa, Beja, Vidigueira, Montemor-o-Novo, Alcácer do Sal, Grândola, Setúbal, Moita, Barreiro, Seixal e Almada.
Neste sábado em Lisboa, as duas colunas partiram da Alameda e do Cais do Sodré, juntaram-se na Praça da Figueira, desfilando depois para a Assembleia da República.
No final, interveio o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, que denunciou que grande parte da despesa pública serve para pagar a "agiotas" e "consórcios amigos".
"Exigimos que os impostos, pagos pelos trabalhadores e pensionistas, deixem de alimentar a alta finança e os grandes grupos económicos que promovem hoje o assalto e o saque do Estado", frisou Arménio Carlos e apresentou propostas da CGTP.
Uma das "saídas para a resolução dos problemas do país" é o fim das PPP e "a renegociação dos contratos daquelas que existem".
"São inaceitáveis esses contratos, em que os prejuízos vão todos para o Estado e os lucros para o privado", disse Arménio Carlos, considerando que "são obscenos os lucros garantidos", que "variam entre os 5% e os 17%", pelo que a CGTP propõe a renegociação dos contratos de forma a reduzir estas margens. A redução dos lucros "representaria um valor superior a 500 milhões de euros".
Segundo a Lusa, o secretário-geral da CGTP apontou ainda como solução que "se ponha termo aos benefícios fiscais injustificados, que conduzem à chamada 'despesa fiscal' do IRC" e recordou que, em 2010, "foi através deste e de outros expedientes que ficaram por cobrar nove mil milhões de euros de Imposto sobre o Rendimento Coletivo (IRC), segundo os últimos dados disponíveis da Autoridade Tributária".
Arménio Carlos exigiu ainda que o setor financeiro "deixe de beneficiar de descontos em sede de IRC", preconizando que se criem "medidas que impeçam a 'contabilidade criativa' da banca".
"A situação que se verifica faz com que a taxa de IRC efetiva paga pelos bancos, segundo dados do Banco de Portugal, seja de apenas 15,4%", sublinhou o sindicalista, acrescentando que a aplicação da taxa de 25% permitirá ao Estado reduzir a despesa fiscal e obter uma poupança de 689 milhões em 2013.
Arménio Carlos exigiu ainda que o Governo português, "em conjunto com outros", desenvolva ações que conduzam à revisão do regulamento do Banco Central Europeu (BCE). O objetivo é o de que o BCE "passe a financiar diretamente os Estados a 0,75%, tal como faz hoje ao setor financeiro".
No final da Marcha contra o desemprego foi feito um apelo à mobilização de todas as pessoas para a greve geral de 14 de novembro e foi anunciada a convocação de uma ação de rua para dia 31 de outubro, coincidindo com a votação na generalidade da proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2013.