Cidadãos pedem combate à precariedade

07 de março 2011 - 10:22

Iniciativa dos cidadãos promovida pelo Partido da Esquerda Europeia no Porto deu início a uma ronda de debates que acontecerão em várias cidades europeias. Segunda iniciativa da campanha é em Atenas.

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" Esta campanha pode ajudar a retomar a matriz da UE no seu carácter social e convergente", assinalou Ulisses Garrido da CGTP.

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Na primeira consulta para a iniciativa dos cidadãos promovida pelo Partido da Esquerda Europeia, a mensagem dos actores sociais foi clara e determinada: chega de precariedade no trabalho, a dignidade deve ser devolvida aos trabalhadores.

Reunidos na Casa da Música, no Porto, membros de onze países do Partido da Esquerda Europeia ouviram as opiniões de economistas, sindicalistas e activistas sociais para criar uma base de trabalho fundada nas necessidades reais da população, que possa dar forma ao novo instrumento de intervenção à escala europeia.

A reunião do Porto deu início a uma ronda de debates que acontecerão em várias cidades europeias para auscultar a sociedade e promover uma verdadeira acção cívica, utilizando a nova ferramenta que permitirá aos cidadãos intervir pela primeira vez na legislação europeia. Para tal, um milhão de assinaturas de pelo menos sete países da UE devem ser recolhidas.

A campanha do Partido da Esquerda Europeia pretende "travar um combate a nível europeu, mobilizando as pessoas que têm sofrido com a crise e dando garantias que é possível agir contra a selvajaria dos mercados", defendeu Francisco Louçã.

Ainda que o projecto da iniciativa só possa ser entregue em 2012, o início da mobilização deve ser imediato para reunir as condições para criar um grande movimento de massas à escala europeia, "com uma verdadeira campanha vertebradora do movimento social e cívico de que carenciamos pela defesa do estado social e do trabalho decente", afirmou Henrique Sousa da ATTAC.

Com dois milhões de precários e 600 mil desempregados, Portugal sofre hoje um dos maiores retrocessos sociais de sempre: "o trabalho indecente e indigno proliferou, negligenciando os jovens, que constituem o futuro do país. Mas esta campanha pode ajudar a retomar a matriz da UE no seu carácter social e convergente", assinalou Ulisses Garrido da CGTP.

“A precariedade e o trabalho têm andado de mãos dadas e está na altura de acabar com esta união”, disse a eurodeputada e vice-presidente do Partido da Esquerda Europeia, Marisa Matias.

Na próxima semana, realizar-se-á em Atenas a segunda iniciativa da campanha, seguindo-se em Abril e Maio a Hungria, Espanha e França e no segundo semestre do ano a Itália e Alemanha.