A Câmara Municipal de Oeiras emitiu nesta quarta-feira um comunicado sobre a polémica das refeições de luxo de altos responsáveis autárquicos pagas pelos cofres públicos criticando a comunicação social e a oposição que classifica como “extremistas e populistas”.
No texto refere-se a existência de “ataques infames”, “campanhas orquestradas” e de “manipulação de informação” e acusa-se a comunicação social de “falta de rigor na averiguação de situações de incompatibilidades legais ou de cariz deontológico sobre a atuação dos jornalistas”, de haver “profissionais a ignorarem o princípio do contraditório, a não respeitarem o rigor da informação, objetivamente dando voz apenas a grupos político partidários sem expressão eleitoral ou a segmentos extremistas da sociedade”.
Sobre o caso das refeições alega tratar-se de “mais uma campanha injetada na Comunicação Social e nas redes sociais pelos extremistas e seus colaboradores, usando máquinas de intoxicação que sabemos serem utilizadas por regimes ditatoriais e que apenas destilam maledicência e ódio gratuito”.
O executivo autárquico fustiga também esses “extremistas, especialmente aos da extrema-esquerda”, junto com os “seus apoiantes e coniventes no acesso aos órgãos de comunicação social” que “enchem os espaços redatoriais com as suas campanhas” e cujo “insucesso eleitoral é compensado pela militância e controlo informativo”. Terminando por se afirmar que “extremistas e populistas que arribaram ao concelho” são “gente que não é democrática nem aceita as diferenças de opinião e desrespeita as escolhas do povo”.
“Teorias da conspiração dignas de ficção científica”
A coligação Evoluir Oeiras escolheu responder a este peculiar discurso de uma autarquia também através de um comunicado no qual “repudia de forma clara o ataque à credibilidade da comunicação social e do jornalismo, e aos seus adversários políticos”.
Para este grupo municipal, “as palavras escolhidas por Isaltino Morais são perigosas para o ambiente democrático que vivemos no seio da política local portuguesa” e “a ideia de que alguns meios de comunicação social se encontram em constante perseguição à sua pessoa e ao seu Executivo demonstra a sua falta de cultura de escrutínio”.
Considera-se chocante a presunção de que as notícias veiculadas “se encontram ao serviço de certos adversários políticos” e algumas das declarações que “chegam mesmo ao cúmulo da criação de teorias da conspiração dignas de ficção científica”.
O Grupo Político Evoluir Oeiras termina este comunicado reafirmando que quer continuar o seu “trabalho de fiscalização do Executivo e de contacto com a sociedade em todos os espaços de intervenção legítima e democrática”.
Na sua conta do Twitter, a vereadora eleita por esta formação política, Carla Castelo, diz que a declaração do presidente da autarquia de Oeiras feita em nome da Câmara é uma “declaração delirante de ataque aos jornalistas e à oposição”, avaliando-a como “muito grave e uma prova cabal de que Isaltino Morais convive mal com o escrutínio democrático, o jornalismo independente e a oposição que não aceita pelouros”.
A declaração delirante de ataque aos jornalistas e à oposição publicada no site do @MunicipioOeiras é mto grave e uma prova cabal de que Isaltino Morais convive mal com o escrutínio democrático, o jornalismo independente e a oposição que não aceita pelouros. pic.twitter.com/bHxTQNgkGt
— carlacastelo (@carlacastelo) August 24, 2023