Conselho Português para os Refugiados sem dinheiro

19 de março 2012 - 19:19

O Conselho Português para os Refugiados (CPR) só tem dinheiro até ao final de Março, disse este domingo a presidente, que está a aguardar que o Ministério da Administração Interna (MAI) aprove um apoio de 150 mil euros. Já foi feito um apelo urgente para recolha de alimentos para refugiados e ajuda ao CPR.

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O CPR apelou a todas as pessoas para participarem numa campanha de recolha de alimentos e artigos de primeira necessidade, algo que poderá fazer a diferença na resposta à crise, sem precedentes, que atravessa.

O Conselho Português para os Refugiados (CPR), única Organização Não Governamental para o Desenvolvimento a trabalhar em Portugal exclusivamente com requerentes de asilo e refugiados, viu-se obrigado a suspender, desde o final da semana passada, todos os apoios de emergência à população refugiada por falta de verbas.



Segundo contou à Lusa a presidente, Teresa Tito Morais, “neste momento, o CPR não dispõe de mais dinheiro para cumprir as obrigações com os refugiados”. Assim, a partir de Abril, o CPR deixará de ter dinheiro para pagar os quartos, pensões e habitações onde estão refugiados.



Teresa Tito Morais disse que o CPR pediu ao MAI um “reforço financeiro”, no valor de cerca de 150 mil euros, para fazer face à situação que, segundo explicou, “já se vem a acumular desde Novembro de 2011”. Desde esta data, “a Santa Casa da Misericórdia decidiu não mais receber pessoas que tinham autorização de residência provisória e, por outro lado, houve um aumento de pedidos de asilo, que não é alarmante”.



O CPR tem a seu cargo “um número elevadíssimo de pessoas” que “não podiam ficar na rua”, tendo sido colocados em pensões, quartos e habitações, explicou Teresa Tito Morais. O CPR apoia 130 pessoas - 40 estão em quartos e casas arrendadas e 90 estão no centro -, entre as quais crianças, grávidas e alguns idosos.



O CPR recebe financiamentos anuais do Fundo Europeu para os Refugiados, que conta com uma comparticipação de 25 por cento do MAI e do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), tendo também um acordo com o Ministério da Solidariedade e da Segurança Social, que foi criado para 34 utentes.



Apelo urgente de ajuda ao Conselho Português para os Refugiados



O CPR apelou a todas as pessoas para participarem numa campanha de recolha de alimentos e artigos de primeira necessidade, algo que poderá fazer a diferença na resposta à crise, sem precedentes, que atravessa.



“Fizemos um apelo à sociedade civil para comparticipar com géneros alimentícios para que as pessoas não passem fome, em especial as crianças”, salientou a presidente do CPR, que acredita que o “MAI irá certamente tomar uma posição urgente sobre esta situação”.



Recorde-se que os refugiados não têm familiares nem outras redes de apoio em Portugal e que estes não podem regressar ao seu país de origem, pois correm risco de vida.



Eis a lista de alimentos e bens que fazem falta:



Alimentos: salsichas (excepto de porco – tendo em conta que muitos muçulmanos

não comem esta carne), conservas e enlatados (atum, sardinhas, etc.), arroz, batatas, massas, leite e produtos lácteos, vegetais, fruta, ovos, óleo, margarina.



Outros artigos de primeira necessidade: fraldas, leite para bebé, papas para bebé.

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