O Bloco de Esquerda considerou esta quinta-feira que a diminuição de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em relação ao trimestre anterior, anunciada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), mostra a falência da estratégia do governo.
Para a deputada Mariana Mortágua, a primeira informação do INE foi que “as exportações tiveram uma quebra brutal e as importações subiram muito, portanto a nossa posição externa degradou-se”.
Já a segunda informação foi que há menos 30 mil empregos na economia portuguesa em apenas um trimestre, e que há mais 12 mil pessoas que emigraram em apenas três meses.
“O último dado agora divulgado não passa de uma confirmação dos outros dois: o INE diz que o PIB decresceu. A economia cresceu -0,7% em relação ao trimestre anterior”, disse a parlamentar bloquista.
Hoje, as exportações estão a contribuir negativamente para o PIB
Os dados do INE destroem assim o discurso de sucesso do governo. “Não há uma tendência de crescimento da economia. Houve alguns sinais externos que agora foram destruídos por estes últimos dados do INE”, afirma a deputada, para quem “a estratégia do governo de baixar salários para aumentar as exportações, curar o país por via das exportações faliu. As exportações são o fator que hoje está a contribuir negativamente para o PIB”.
A deputada afirmou que, ao contrário do que diz o governo, “o milagre das exportações não existe”.
“Dependia dos combustíveis e como os combustíveis decresceram, as exportações também decresceram e não há consumo interno suficiente para compensar essa queda das exportações”, notou.
Mariana Mortágua afirma que “o governo não tem estratégia, a sua estratégia para o crescimento da economia está falida. E em vez de olhar para estes dados seriamente, tirar deles conclusões perceber que é preciso aumentar salários aumentar o consumo criar emprego, o governo prefere fazer campanha eleitoral. Prefere tentar passar para fora uma ilusão de crescimento quando o crescimento já não existe”.
Escusam de fingir sucesso
E faz pior ainda: insiste na mesma política, diz a deputada.
“Soubemos também nos últimos dias que o governo dizia que ia repor uma parte dos cortes à função pública, mas afinal essa reposição vai ser compensada com mais descontos para a ADSE e para a Caixa Geral de Aposentações. Não há reposição, há mais cortes. O governo disse que ia repor a CES que era provisória para os pensionistas, mas agora sabemos que a CES vai ser permanente é maior do que a CES de 2011.”
Para Mariana Mortágua, “temos as mesmas políticas de austeridade, e os mesmos resultados: recessão, desemprego, emigração. Portanto, é escusado o PSD, o CDS e o governo pararem de abrir garrafas de champanhe a fingir um sucesso que não existe porque os resultados estão muito claros no INE e também na vida das pessoas”.