“A demissão de Paulo Ferreira era esperada porque alguém que perde a confiança da sua redação tem que sair e só peca por tardia", disse à agência Lusa Camilo Azevedo, da Comissão de Trabalhadores da RTP. Quanto ao nome de José Manuel Portugal para o substituir, a CT não acredita que vá significar mudanças na empresa. “Não vemos nesta nomeação o rumo que era necessário a RTP tomar. Continua o desnorte absoluto na empresa. Isto é contrário à estratégia de desgovernamentalização”, prosseguiu Camilo Azevedo.
Dois meses após ter perdido a confiança da redação da RTP, Paulo Ferreira demitiu-se esta sexta-feira do cargo de diretor de informação, ao aceitar uma nova posição na estrutura da empresa. O jornalista foi alvo da censura dos colegas num plenário da redação, que o acusaram de violar “o código de ética” após ter dito em entrevista que uma das consequências dos processos de rescisões como o da RTP é o da saída das pessoas “mais talentosas” e quem permanece "acabam por ser, muitas vezes, as menos capazes".
"A minha saída destas funções resulta de uma decisão pessoal, sustentada na leitura que faço sobre o que melhor defende os interesses gerais da RTP e, em particular, os da fundamental área da informação", disse Paulo Ferreira numa carta enviada ao presidente do conselho de administração da RTP, Alberto da Ponte, e a que a agência Lusa teve acesso. Ao mesmo tempo que a demissão foi conhecida, soube-se também que o ex-diretor de informação da RTP já tem um novo posto na empresa, recém-criado pela administração: trata-se de do cargo de gestor de inovação na área de informação para tratar de "projectos estruturantes que se avizinham” em resultado do plano de redimensionamento da RTP, apresentado em março pelo ex-ministro Miguel Relvas.
Uma das propostas que a administração da RTP pretendia implementar era a fusão das redações de radio e televisão, muito contestada pelos trabalhadores da empresa. Este mês, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) veio dar razão aos que apontavam a ilegalidade da decisão, por não terem sido consultados os jornalistas em audição formal do Conselho de Redação.