"Com um Governo completamente paralisado e sem rumo, que não dialoga com o povo, e um Presidente da República que só pensa em manter o seu partido, estamos todos dias a criar o desespero e a violência. É por isso que digo que o Presidente e o Governo devem demitir-se", declarou Mário Soares na Aula Magna.
Soares disse que "o senhor Presidente da República, que jurou cumprir e fazer cumprir a Constituição, não a está a respeitar, o que é inaceitável, só protegendo o seu próprio partido [o PSD] e o seu aliado de circunstância [o CDS-PP]".
"Está longe de ser o Presidente de todos os portugueses, sendo odiado e vaiado pela grande maioria dos portugueses, que estão a viver terrivelmente. Por isso, tem medo de sair à rua e medo de falar", criticou ainda.
Segundo a Lusa, Mário Soares afirmou também que "é preciso ter a consciência de que a violência está à porta" e "é isso que é necessário evitar", considerando que é tempo de PR e Governo se demitirem "enquanto ainda podem ir para as suas casas pelo seu pé, caso contrário serão os responsáveis pela onda de violência que aí virá e que necessariamente os atingirá".
Dirigindo-se diretamente a Cavaco Silva, Mário Soares afirmou: "Senhor Presidente demita-se, uma vez que não cumpre a Constituição". E acrescentou: "Por partidarismo, este Presidente não é capaz de demitir este Governo incompetente, que está a destruir todos os dias este país. Não desgrace mais Portugal senhor Presidente da República".
“A Europa não perdeu apenas memória, perdeu a cabeça”
Na sua intervenção, a eurodeputada Marisa Matias afirmou que “Portugal não é um protetorado, mas um Estado de direito e um país democrático” e exigiu a PSD e CDS-PP “Demitam-se que já vão tarde!”.
Salientando que “anossa Constituição garante a todos estes cidadãos habitação, saúde, educação, alimentação, uma vida digna”, Marisa Matias afirmou que os cidadãos que não têm esses direitos “são os nossos primeiros credores” e realçou: “Se o orçamento não chega para esses credores e para os outros, o que um governo decente faria seria dar prioridade às pessoas que aqui vivem, trabalham e sofrem. Se temos mais compromissos do que os que podemos honrar, comecemos pelos que estão na Constituição. Os fundos especulativos e a Comissão Europeia podem esperar”.
A eurodeputada do Bloco de Esquerda apontou que “o governo de que precisamos é um governo de rutura com a austeridade e com todos os coletes-de-forças que nos querem impor, a começar por uma dívida que é usada como a derradeira chantagem contra o Estado Social”.
Lembrando que “um desses coletes-de-forças” é o Tratado Orçamental europeu, Marisa Matias afirmou: “Este Tratado deveria ter sido esmagadoramente rejeitado no Parlamento Europeu. Foi esmagadoramente aprovado por todos os grupos políticos do parlamento Europeu menos um. A Europa não perdeu apenas memória, perdeu a cabeça”.
A terminar a eurodeputada bloquista realçou que “vivemos tempos de urgência, temos um Governo que se atirou implacavelmente à Constituição” e recordou os versos de Sérgio Godinho: “Só há liberdade a sério quando houver liberdade para mudar e decidir, Quanto pertencer ao povo o que o povo produzir. A paz, o pão, habitação, saúde, educação”.
Na iniciativa da Aula Magna intervieram ainda Carlos do Carmo, Ruben de Carvalho, Helena Roseta, Pacheco Pereira e o General Pinto Ramalho. Jorge Sampaio, António Capucho, Rui Moreira e Fernando Aguiar Branco enviaram mensagens.