"Há múltiplas razões para o considerar inconstitucional", afirmou João Semedo em Coimbra, na Casa Municipal da Cultura, ao intervir num debate promovido pelo Bloco de Esquerda subordinado ao tema "Expulsar a 'troika', recusar o Orçamento – 6 medidas fundamentais para a economia".
Segundo a Lusa, João Semedo afirmou que o Governo pretende "desmantelar o Estado Social" e provocar "o despedimento e o desemprego de dezenas de milhares de funcionários públicos", o que justifica "a urgência da sua demissão".
"Nós não temos nenhuma expectativa relativamente ao que o Presidente da República possa vir a fazer", disse o coordenador do Bloco de Esquerda e recordou que Cavaco Silva "já disse publicamente o suficiente para encontrar nas suas próprias palavras razões e motivos para demitir o Governo", seja "na versão institucional", seja "na versão Facebook".
Cavaco Silva já defendeu "um limite para a austeridade", mas também "já se referiu ao grande desequilíbrio na distribuição dos sacrifícios", "portanto, razões suficientes para que se quisesse ter um papel interventivo, podia já ter uma razão política que levasse à mudança do Governo", salientou João Semedo.
Para o coordenador do Bloco, "os motivos que podem levar à demissão do Governo estão na mobilização das forças sociais e das forças políticas" de esquerda, bem como "na regulação política e constitucional que se possa fazer sobre a política do Governo", em particular sobre o Orçamento de Estado para 2013.
"É impossível manter um Governo que em dois orçamentos de Estado (incluindo o aprovado, em 2011, para este ano) da sua inteira e exclusiva responsabilidade sucessivamente viola a Constituição, razão para o Presidente da República demitir o Governo", frisou Semedo que destacou ainda "o desenvolvimento da luta social e da luta dos trabalhadores conduzirá a um fosso cada vez maior entre o apoio popular que o Governo teve (...) e o seu atual descrédito".
Na tarde desta quinta feira, João Semedo já tinha declarado na AR, que as reuniões que o Bloco pediu a PS, PCP, CGTP e UGT têm o objetivo de encontrar uma "convergência das forças de esquerda" para "interromper esta política e demitir este Governo".
"Nós não escondemos que o objetivo que temos é a convergência das forças sociais e políticas de esquerda interessadas e motivadas para interromper esta política e demitir este Governo, não escondemos esse objetivo e todo o diálogo que temos, seja com quem for, tem esse objetivo", afirmou Semedo.
O coordenador do Bloco frisou que "o Bloco de Esquerda saiu mobilizado da sua Convenção para aquilo que considera ser a urgência política do momento que é a demissão deste Governo e isso implica uma concertação e grande mobilização das forças sociais e políticas de esquerda".
Segundo a agência Lusa, João Semedo foi questionado pelos jornalistas sobre se estes encontros representam mais do que uma formalidade, ao que o coordenador do Bloco respondeu que "para apresentar cumprimentos fazia-se isso nos corredores da Assembleia e não era preciso fazer essas reuniões": "São reuniões com um sentido e um conteúdo político e julgo que o nosso pedido explicita esse conteúdo e que as respostas vão nesse sentido".
"Hoje temos mais pobres, mais desempregados, mas também mais dívida e mais défice, nós queremos interromper este desgraçado rumo do país (...) queremos interromper este ciclo e pôr a esquerda a governar o país porque é isso que o país precisa", frisou ainda João Semedo.