Dificuldades no acesso a colonoscopia devem-se a cortes excessivos no financiamento do SNS

09 de janeiro 2014 - 11:47

Ordem dos Médicos responsabiliza decisões tomadas e cortes excessivos impostos pelo Ministério da Saúde pelas dificuldades no acesso aos meios complementares de diagnóstico e terapêutica. Bastonário acusa governo de só agir quando os casos são denunciados à comunicação social.

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Foto de Paulete Matos.

Reagindo à notícia avançada pelo Diário de Notíciassobreuma doente com cerca de 60 anos que aguardou dois anos por uma colonoscopia, e que agora tem um cancro no intestino, de grandes dimensões e inoperável (ler artigo Ministro sabia da demora para realizar colonoscopias), a Ordem dos Médicos (OM) avança que as “dificuldades no acesso aos meios complementares de diagnóstico e terapêutica são da total responsabilidade do Ministério da Saúde, devido às decisões tomadas e aos cortes excessivos no financiamento do Serviço Nacional de Saúde [SNS]”.

No mesmo comunicado, a OM sustenta que, por despacho da tutela, de 2011, "foi extraordinariamente dificultada a referenciação de doentes a médicos privados convencionados para poderem realizar os meios complementares de diagnóstico e terapêutica que os médicos do SNS consideravam ser necessários".

"Os valores a pagar, por muitos destes exames, não eram atualizados há anos, tornando-os desinteressantes para o setor privado, pelo que deveria ser o SNS a assumir essa responsabilidade", acrescenta a OM.

“Não é possível achar que se pode cortar no SNS sem esperar por este tipo de situações”

O bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, afirmou “não é possível achar que se pode cortar no Serviço Nacional de Saúde sem esperar por este tipo de situações”.

“É inevitável. Mas alguém podia imaginar que fosse possível impor esta dimensão de cortes sem haver consequências na capacidade e na qualidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde?”, questionou o bastonário em declarações à RTP.

José Manuel Silva alertou para o facto de chegarem à Ordem cada vez mais relatos de dificuldades de acesso a exames e acusou o governo de só agir quando os casos são denunciados à comunicação social.